06/03/2026
Mauricio Marangoni

Trabalhar, oras…

Esta semana que se finda, somente no meu escritório, fui procurado por três cidadãos de nossa cidade que receberam mensagens se passando por advogados, dizendo sobre o êxito de determinada demanda judicial – que por acaso realmente existia, e que deveriam enviar valores para receber o que se discutia no processo.

O advento do processo digital modernizou e acelerou bastante o acesso à justiça e o atendimento ao jurisdicionado. De outra banda, virou um quintal nocivo, onde os de má índole, facilmente usam de artimanha para enganar as pessoas de bem, especialmente a menos esclarecidas.

Um dos casos, aquele se passando por ‘advogado’ chega a parabenizar o ‘cliente’, dizendo que os R$ 65 mil pedidos num processo, estarão sendo pagos, mas para a liberação desse valor, o juiz determinou que se pagasse 10% de custas processuais. Esse é só um dos exemplos que presenciei. Curioso foi que os três casos tomaram a cautela de consultar seu patrono – seu advogado, para se certificar se de fato a mensagem vinha mesmo com veracidade. O triste disso é que um sem fim de pessoas, numa mescla de inocência e não poucas vezes com ganância, sequer se certificam de onde vem a mensagem, se pelo aplicativo de conversas o diálogo se faz com o seu advogado.

Essa falta de cuidado no lidar com mensagens, e-mails, ligações, tem levado muita gente à desgraça, não só financeira, mas também com reflexos terríveis no campo pisco-emocional. Paralelo a esses verdadeiros golpes perpetrados por criminosos, vagabundos que se passam por ‘operadores do direito’ vitimando pessoas país afora, há que se lembrar também daqueles que são efetivamente advogados, e num ‘canto de sereia’, surgem de diversos rincões do país oferendo mágica aos nossos cidadãos.

Explico – dia desses também me deparei com um aposentado, que confiou o exercício do seu direito previdenciário a um escritório do sul do país. Resultado: após anos não encontra mais ninguém para lhe prestar contas, e sequer sabe o paradeiro daqueles a quem confiou a instrumentalização do seu direito de ação.
Essas situações corriqueiras que vemos no dia a dia da advocacia, não se mostra somente como uma mácula à própria profissão que com orgulho, profissionalismo, ética e transparência buscamos exercer, mas como uma grande decepção nessa ação negativa praticada por criminosos (sim, são criminosos), que ao invés de buscar seu sustento através do estudo e do trabalho, vitimam pessoas inocentes, sedentas de justiça, que passam anos apoiadas nas barras do aparelho judicial, no aguardo da consecução dos seus direitos, e são lesadas de forma violenta e impune por esses quadrilheiros.

Não me canso de orientar as pessoas, tanto no meu exercício profissional cotidiano, como sempre insisto também nas minhas participações às sextas-feiras pela Rádio Clube FM: o advogado, assim como o médico, deve ser escolhido a dedo, deve ser eleito pela confiança naquilo que se busca almejar – tanto no direito quanto na medicina. Os profissionais têm que ser estabelecidos, com endereço e telefones de contato sempre atualizados.

Não raras vezes nos deparamos com pessoas que sequer sabem o nome do seu advogado, aquele em quem depositou seus direitos (sejam eles de que natureza são – família, trabalhista, previdenciário, etc.), numa flagrante situação de vulnerabilidade, sujeitando-se àqueles nefastos que, através de atos criminosos, ludibriam os de boa-fé, que acabam por ficar num prejuízo sem volta. Essas ações criminosas que vemos por aí com muita frequência, nos desanimam, desanimam as pessoas de bem, que somente pelo seu trabalho, conseguiram o mínimo de dignidade, e ficam expostas a golpes praticados por aqueles que usam seu tempo para o mal, e não para o bem.

Uma pena.

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