O Brasil foi oficialmente retirado do Mapa da Fome das Nações Unidas, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2025, divulgado nesta segunda-feira (28). A exclusão ocorre após a taxa de subnutrição do país cair para menos de 2,5% da população, índice que representa o limite técnico adotado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
De acordo com o relatório, a taxa de insegurança alimentar grave no Brasil despencou de 8% em 2020 para 1,2% em 2023, o que representa uma redução de 85% em três anos. Ao todo, cerca de 14 milhões de brasileiros deixaram a condição de fome severa.
A média trienal entre 2021 e 2023 ainda se manteve em 3,9%, mas os dados de 2023, analisados isoladamente, permitiram a saída do país da lista. O Brasil já havia deixado o Mapa da Fome em 2014, mas retornou em 2021, após a pandemia de covid-19 e o agravamento da crise econômica.
Entre os fatores que contribuíram para a reversão dos indicadores estão a retomada de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, como o fortalecimento do Bolsa Família, a ampliação da alimentação escolar e o apoio à agricultura familiar. Em nota, o governo federal atribuiu os resultados ao programa “Brasil Sem Fome”, que reúne mais de 30 iniciativas interligadas.
A publicação do relatório ocorre dias após o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, liderada pelo Brasil e com adesão prevista de mais de 100 países até 2030. Segundo o governo, o objetivo é compartilhar experiências bem-sucedidas e mobilizar a comunidade internacional no combate à fome.
Apesar do avanço, a ONU alerta que a insegurança alimentar moderada ainda afeta parcela expressiva da população brasileira, com desigualdades regionais e desafios estruturais que exigem atenção contínua.



