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Vídeo mostra Moraes e esposa descendo de jatinho de Vorcaro, diz jornal

Um vídeo registrado no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025, mostra o desembarque de um casal que, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, seria o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

As imagens mostram passageiros deixando uma aeronave de prefixo PP-NLR, que estava vinculada à Prime You, empresa relacionada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um caso envolvendo suspeitas de fraudes financeiras.

O registro ganhou relevância porque contrasta com uma declaração anterior atribuída a Moraes, segundo a qual ele afirmou que “jamais viajou em nenhum avião” de Vorcaro. Procurada novamente pelo Estadão, a defesa do ministro ainda não havia apresentado resposta até a publicação das informações.

O escritório Barci de Moraes, por sua vez, confirmou ao O Globo que utiliza serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation.

Imagens coincidem com participação de Moraes em evento no Rio

Na mesma data em que o vídeo teria sido gravado, Alexandre de Moraes participou de um evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), no Rio de Janeiro.

O ministro integrou o painel “O Brasil de hoje e o Brasil do amanhã”. Fotografias feitas durante o encontro mostram Moraes usando terno preto e Viviane Barci vestindo um conjunto de cor bege, roupas semelhantes às observadas nas imagens do desembarque.

Durante o fórum, Moraes também fez uma declaração sobre os limites de atuação dos integrantes do Judiciário. Sem mencionar diretamente o ministro André Mendonça, que havia defendido horas antes a necessidade de “autocontenção” do Poder Judiciário, Moraes afirmou que apenas em regimes autocráticos um governante poderia exercer sua liberdade sem limites e sem responsabilização.

Mensagens indicam que voo de Viviane estava programado para o dia seguinte

Informações reunidas pela Polícia Federal também colocaram a aeronave PP-NLR no centro das investigações.

Segundo documentos divulgados pelo Estadão, em 21 de agosto de 2025, um dia antes da gravação no Santos Dumont, Daniel Vorcaro teria conversado com uma funcionária identificada como “Thatiane Prime”, apontada nas investigações como responsável pelo agenciamento de viagens da Prime You.

Vorcaro teria solicitado informações sobre a possibilidade de fretar um voo entre Brasília e Roraima. Em resposta, recebeu mensagens informando que a aeronave PP-NLR poderia ser utilizada, mas já estava reservada para outro deslocamento no dia seguinte.

Na conversa encaminhada ao empresário, uma pessoa não identificada informou: “Temos o voo da Barci no PP-NLR, decolando do Catarina às 13:00”.

A referência ao “Catarina” provavelmente corresponde ao Aeroporto Executivo São Paulo Catarina, localizado em São Roque, no interior paulista. Diante da informação, Vorcaro teria pedido que o voo já programado fosse priorizado.

“Não deixe de atender Barci”, teria escrito o então banqueiro.

Escritório diz que não havia outras pessoas nos voos

Em manifestação enviada ao O Globo, o escritório Barci de Moraes afirmou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas e negou que Daniel Vorcaro tenha viajado junto com integrantes do escritório.

Segundo a nota, em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation havia Vorcaro ou pessoas sem relação com o escritório. A empresa também confirmou que, em determinadas viagens, Viviane Barci esteve acompanhada do marido, Alexandre de Moraes.

O escritório declarou ainda que a escolha dos serviços de transporte aéreo segue critérios operacionais e não está relacionada a vínculos pessoais com proprietários das aeronaves ou operadores.

Contratos também aparecem nas investigações

As relações entre o grupo empresarial de Vorcaro e a família do ministro também são mencionadas em documentos da Polícia Federal.

Um dos episódios envolve uma proposta de R$ 50 milhões para a cessão de cotas de aeronaves à esposa de Moraes. Segundo o escritório de Viviane, o documento nunca chegou a ser assinado e teria perdido efeito após a liquidação do Banco Master.

Outro contrato, no valor de R$ 131 milhões, previa a prestação de serviços jurídicos pelo escritório de Viviane ao banco. Reportagem do Estadão apontou que os valores previstos seriam superiores aos praticados normalmente no mercado.

Ainda de acordo com informações divulgadas pelo jornal, a Polícia Federal identificou que o documento havia sido editado por Alexandre de Moraes.

Levantamento aponta outros voos

Um levantamento realizado pela Folha de S.Paulo e posteriormente confirmado pelo Estadão apontou que Alexandre de Moraes e Viviane Barci teriam utilizado, entre maio e outubro de 2025, ao menos oito voos relacionados a empresas ligadas a Vorcaro.

O levantamento considerou os deslocamentos que tiveram o Aeroporto de Brasília como ponto de partida.

O caso passou a ter também repercussão dentro do próprio STF. Na semana anterior, uma sessão destinada a analisar a abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e suas relações com Daniel Vorcaro foi interrompida após pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino.

A sessão foi marcada por divergências entre os integrantes da Corte. Durante o julgamento, a ministra Cármen Lúcia declarou preocupação com a imagem que o tribunal transmitia à sociedade.

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