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Vazamento de diálogos e suspeita de gravação clandestina abalam relação entre ministros do STF

Uma sessão reservada do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na quinta-feira (12), ganhou novos desdobramentos após a divulgação de trechos de diálogos internos em reportagem do site Poder360. O encontro terminou com a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria de um processo envolvendo o Banco Master e agora está cercado por suspeitas de gravação clandestina.

Suspeita de gravação e reação interna

Ministros relataram desconforto e afirmaram que o episódio provocou uma crise de confiança inédita dentro da Corte. Parte dos magistrados chegou a enviar a reportagem ao próprio Toffoli para questionar a origem dos registros. O ministro negou envolvimento e declarou: “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, levantando ainda a hipótese de que o material possa ter sido captado por alguém do setor técnico do tribunal.

Nos bastidores, integrantes do STF disseram que os trechos divulgados destacam apenas partes favoráveis ao ministro, sem mostrar a totalidade das discussões.

Falas reveladas na reunião

A reportagem trouxe declarações literais atribuídas a diversos ministros durante o encontro. Segundo o texto, Gilmar Mendes afirmou: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões […] que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”, em referência à atuação da Polícia Federal no caso.

Cármen Lúcia teria mencionado a pressão pública sobre o tribunal ao dizer: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, acrescentando que, apesar de confiar em Toffoli, seria necessário “pensar na institucionalidade”.

De acordo com o conteúdo divulgado, Luiz Fux saiu em defesa do colega: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou”. O ministro Alexandre de Moraes não teve falas literais publicadas, mas aparece como crítico do relatório policial encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin.

Também segundo a reportagem, Nunes Marques afirmou: “Para mim, isso é um nada jurídico”, criticando a possibilidade de votação da suspeição. André Mendonça questionou a consistência das acusações ao declarar: “Isso não existe […] a palavra do ministro Toffoli tem fé pública”.

O ministro Cristiano Zanin teria classificado o material apresentado como insuficiente: “Isso aqui tudo é nulo”, enquanto Flávio Dino fez críticas diretas ao relatório policial, chamando-o de “lixo jurídico” e afirmando que a crise era sobretudo política.

Decisão final e impacto interno

Apesar das manifestações de apoio registradas na reunião, os ministros concluíram que a retirada de Toffoli da relatoria seria a melhor solução para preservar a imagem institucional do STF. A suspeita de gravação clandestina, segundo relatos internos, pode ampliar o isolamento do magistrado dentro da Corte, em meio ao clima de tensão gerado pelo episódio.

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