Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram pela primeira vez no Brasil o N-pirrolidino protonitazeno, uma substância sintética considerada 50 vezes mais potente que o fentanil — um dos opioides mais fortes do mundo. O caso foi detectado após o atendimento de um paciente no Hospital de Clínicas (HC) de Campinas, que apresentou sintomas de intoxicação após o consumo de ecstasy adulterado.
A análise foi conduzida pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp, que confirmou a presença do nitazeno no sangue e na urina do paciente. De acordo com o centro, o homem chegou ao hospital com sonolência intensa e perda de consciência, sendo tratado com naloxona, antídoto usado em casos de overdose por opioides.
O CIATox emitiu um alerta nacional sobre a descoberta, destacando que a nova droga representa um risco elevado à saúde pública. Segundo a instituição, além do nitazeno, foram encontradas no organismo do paciente MDA, catinonas sintéticas e álcool, o que indica um quadro de policonsumo — mistura de diferentes substâncias psicoativas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu o N-pirrolidino protonitazeno na lista de substâncias proibidas no país em 29 de julho de 2025. O composto faz parte da classe dos nitazenos, opioides de origem sintética criados originalmente para fins medicinais, mas que têm sido produzidos ilegalmente e comercializados em comprimidos e pós adulterados.
Segundo especialistas da Unicamp, pequenas alterações químicas em drogas conhecidas podem gerar substâncias mais potentes, de difícil detecção e com alto risco de overdose. O caso reforça a importância do Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), iniciativa nacional que monitora substâncias emergentes em parceria com universidades, centros de toxicologia e o Ministério da Justiça.
A Unicamp alertou que o consumo de drogas sintéticas adulteradas pode causar depressão respiratória, parada cardíaca e morte, mesmo em doses pequenas.


