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Mauricio Marangoni

The Oscar goes to…

Semana muito interessante. Mais um filme brasileiro apontado para receber algumas estatuetas de Hollywood, em várias categorias. Ponto positivo para o cinema brasileiro! Creio que não seja tão necessário a ponto de se pretender divulgar em presídios país afora, como já divulgado pelo governo. Mesmo porque apesar das homenagens e reconhecimento em algumas categorias, nossa produção cinematográfica ainda é tímida.

Mas uma coisa sinaliza positivamente nisso: estamos despontando e sendo reconhecidos na ‘sétima arte’. Claro que nesse assunto surgem críticos ao amparo da arte à base do dinheiro público, como por exemplo, parte dele oriundo da tão ecoada ‘lei Rouanet’; outros ainda criticam o pano de fundo das últimas produções indicadas a premiação – e as até já premiadas, que polarizam a questão direita x esquerda, fomentando ainda mais divisão na nossa tão tênue democracia.

Mas independentemente dessa ou daquela opinião – e incluo a minha nessa celeuma – o certo é que o cinema tem sido destaque no país nesses últimos tempos. Parabéns. Num paralelo a esse assunto, me causou grande surpresa e espanto o incrível número de faculdades de medicina despreparadas para a formação de médicos! Conforme divulgado, um terço delas é de má qualidade.

Há muito se fala em melhorar a qualidade da saúde do brasileiro, capenga desde que me conheço por gente. Mas esses números trazidos recentemente que causaram espanto a grande parte daqueles que acessaram os nomes das instituições ‘reprovadas’ na avaliação, fazem demonstrar uma certa precarização do ensino superior no país, o que não é de hoje que vem ocorrendo… Ouso dizer que não só na medicina.

O que se vê na política brasileira, de forma geral, é o discurso focando na criação e aumento do número de faculdades país afora. Parecem querer números e não qualidade daqueles que se formam nos cursos superiores. Apenas por curiosidade, no Brasil existe mais médicos que nos Estados Unidos, sendo que neste a população é muito superior à nossa.

O discurso de governos visando fomentar cursos superiores, liberar faculdades aqui e acolá, acabam por gerar profissionais de baixa qualidade técnica, demonstrando ser nada mais que um discurso populista e politiqueiro. Como cidadão, vejo esse assunto dos cursos superiores difundidos por aí, em especial na área da medicina, como um grande problema que estamos criando, não só para a população que necessita de profissionais bem preparados como para os próprios profissionais egressos dessas escolas.

A formação indiscriminada de profissionais em faculdades, gera também consequências na esfera social e econômica – onde vão se inserir no mercado, e a que preço trabalharão. Até onde há a vocação para o curso escolhido? Que expectativa se tem do que será pago a tantos profissionais? Isso me refiro também à engenharia, ao Direito, e tantos outros cursos à disposição por aí…

Voltando aos médicos, em cerca de cinco anos, por certo o Brasil terá mais médicos que enfermeiros e técnicos em enfermagem, tanta a proliferação de cursos de medicina. Será que essas atividades acessórias são desnecessárias? De onde surge tanta vontade de ingressar na medicina: vocação, status? Sei lá, mas vivemos num país ainda sedento de uma política de saúde pública digna e eficiente ao povo que aqui vive.

Os tecnólogos e técnicos (em todas as áreas) não tem tido tanto foco e investimento como se tem dado às faculdades nas últimas décadas. Vivemos uma crise de qualificação e requalificação profissional, vez que muito se engana aquele que pensa que o curso superior, o diploma na mão, é a porta aberta ao bom profissional e a dignidade merecida ao trabalhador… nem sempre. Tanto que a informalidade reina por aí, e esteja certo que em sua grande maioria, muitos dos informais são formados em faculdades fomentadas por políticas equivocadas de educação, que visavam a impressão de diplomas universitários, sem a contrapartida do reconhecimento e valorização que esperavam. E hoje vivem com o diploma enrolado, debaixo do braço.

O paralelo desse assunto que faço com o início das minhas palavras, sobre a premiação do nosso cinema, nada mais é do que uma forma de reflexão sobre o abismo que temos vivido neste país; um país pífio em produção científica, acadêmica e profissional, que ao mesmo tempo que recebe um reconhecimento e uma premiação no cinema, vê a fragilidade de um sistema de educação que lança profissionais no mercado, sem o preparo e a capacitação básicas e necessárias ao atendimento do pagador de impostos.

Tivemos um Oscar ano passado, podemos ter outros esse ano. Meu sonho é termos um Nobel. Acho que ficará no sonho.

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