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Revista diz que Vorcaro liberou dinheiro para filme sobre Lula em troca de negócios no governo

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou ter autorizado o pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo para despesas relacionadas ao documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Segundo reportagem publicada pela revista VEJA nesta sexta-feira (9), o banqueiro relacionou o repasse a negociações para permitir que a instituição financeira tivesse acesso a investimentos de fundos de previdência ligados ao setor público.

A matéria completa pode ser acessada no link https://veja.abril.com.br/politica/vorcaro-conta-que-liberou-dinheiro-para-filme-sobre-lula-por-negocios-no-governo/

As declarações fazem parte de um relato apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR), acompanhado, segundo a publicação, de documentos e gravações. O conteúdo descreve uma suposta articulação que envolveria o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, e pessoas ligadas ao ministro Alexandre Padilha. A Procuradoria não levou adiante o caso, com a justificativa de que não haveria provas da história.

Áudio menciona dinheiro destinado ao filme

Em uma gravação obtida pela VEJA, Vorcaro comenta os recursos destinados ao documentário e faz uma distinção entre esse repasse e o patrocínio de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais”, afirma o banqueiro no áudio. Na sequência, acrescenta: “Só que o do Lula foi por fora, foi errado”.

De acordo com o relato apresentado pelo empresário, o dinheiro teria sido entregue em espécie para cobrir despesas da produção do documentário sobre o presidente, além de outros valores destinados diretamente ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.

No documento reproduzido pela reportagem, Vorcaro descreve a suposta condição apresentada durante as negociações para credenciar o Banco Master junto a fundos de previdência.

“Um pagamento por fora, ou seja, por espécie, na ordem de aproximadamente 30 milhões de reais para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula”, diz trecho atribuído ao banqueiro.

A reportagem informa que a Procuradoria não deu prosseguimento a essa parte do relato por considerar insuficientes as provas disponíveis, especialmente diante da alegação de que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo.

Suposta cobrança de 10% sobre operações

Além do valor relacionado ao filme, Vorcaro afirmou que teria sido exigido um pagamento equivalente a 10% dos recursos que o Banco Master conseguisse captar junto a fundos de previdência.

Entre as instituições mencionadas estão a Previ, ligada aos funcionários do Banco do Brasil, a Petros, dos trabalhadores da Petrobras, e o Postalis, dos empregados dos Correios. A Caixa também aparece no relato.

Segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, a aproximação com Vaccari teria sido articulada por Augusto Lima, com participação de interlocutores políticos. O objetivo seria facilitar o credenciamento do Master e ampliar as possibilidades de negócios com essas entidades.

A reportagem afirma que, caso todas as operações previstas fossem concretizadas, os negócios poderiam movimentar bilhões de reais. Entretanto, o relato não significa que todos os investimentos tenham sido realizados nem que os valores projetados tenham sido efetivamente pagos.

Mensagens e reuniões são citadas na reportagem

A publicação também menciona mensagens encontradas no celular de Vorcaro durante as investigações da Polícia Federal. Segundo a VEJA, os registros mostram contatos entre o banqueiro e um operador identificado como Júlio, que teria facilitado a aproximação com Olavo Noleto, então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais.

Em uma das conversas reproduzidas, Vorcaro pergunta sobre o andamento de possíveis negócios com fundos de previdência. As mensagens citadas pela revista também fazem referência a contatos com representantes da Petros, do Postalis e da Previ.

Outro trecho relata uma reunião na residência do banqueiro com pessoas ligadas ao grupo político mencionado. Vorcaro afirma que, durante a conversa, teria sido apresentada a condição de pagamento de uma comissão para viabilizar os negócios.

A reportagem ainda registra que o Banco Master entrou, em 29 de abril de 2024, na chamada “lista exaustiva”, relação que permitia às instituições financeiras credenciadas receber recursos de determinados fundos de previdência. A inclusão, por si só, não comprova a existência de propina ou que tenha ocorrido favorecimento ilegal.

PGR não avançou com o relato

Segundo a VEJA, a defesa de Vorcaro sustentou que havia outros elementos que poderiam ajudar a esclarecer os fatos, como conversas de WhatsApp, registros de deslocamentos, informações sobre pessoas que teriam retirado dinheiro e dados relacionados às entregas.

A revista também cita e-mails, registros de reuniões e mensagens que, na avaliação apresentada pelo banqueiro, ajudariam a reconstruir as negociações. Esses materiais, porém, precisam ser analisados individualmente para determinar o que efetivamente comprovam.

O relato foi incluído em uma proposta de delação apresentada em junho de 2026, que acabou descartada. A reportagem informa que Vorcaro trabalha em uma nova tentativa de colaboração com as autoridades.

Lula e ministro negam irregularidades

Procurado pela revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro, assim como ter autorizado terceiros a receber dinheiro em seu nome.

Alexandre Padilha também negou relação com o banqueiro, enquanto Olavo Noleto afirmou não ter vínculo com Vorcaro nem ter recebido recursos dele.

A reportagem ressalta ainda que não há comprovação de que Lula tenha se reunido com o ex-controlador do Banco Master nos termos sugeridos pelas mensagens citadas.

As acusações permanecem dependentes de apuração e comprovação pelas autoridades competentes. A existência de áudios, mensagens e documentos mencionados em uma reportagem não significa, isoladamente, que todas as alegações estejam comprovadas.

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