Já há algum tempo temos vivido tempos sombrios no país, em todas as esferas. Mas penso que das maiores crises dos últimos fatos verificados diz respeito à confiança em nossos tribunais, em especial os superiores. Um sem fim de notícias acerca de blindar isso, vetar aquilo, passando por esposa de ministro da suprema corte que é sócia do escritório de advocacia que defende interesses do banqueiro. Banqueiro aliás, que financia eventos nacionais e internacionais onde diversos ministros do supremo participam.
Esses eventos nominados de culturais e jurídicos, são em sua grande maioria bancados por instituições bancárias, que são os que mais fomentam questionamentos e lides judiciais em todas as esferas. Noutro giro, a suprema corte decidiu recentemente que pode atuar em processos que envolvam clientes de escritórios de advocacia onde seus cônjuges ou parentes até terceiro grau dos seus ministros atuam como advogados.
Vemos banqueiro preso, em seguida, vemos que o ministro viajou num jato executivo em companhia do advogado do tal banqueiro, para ver um jogo de futebol num país vizinho. Curiosamente no mesmo dia o mesmo ministro caroneiro é ´sorteado´ para relatar o processo do tal banqueiro, e em vista desse escárnio, decreta sigilo do feito.
Temos também o caso da desembargadora federal que liberou o banqueiro da prisão, sendo que a referida autoridade foi cliente do mesmo advogado que defende o banqueiro.
Um outro ministro tem sua esposa no epicentro de um não menor escândalo: a advogada tem um contrato de honorários de mais de três milhões e meio de reais mensais, para assessorar o mesmo banco. Se ao menos a tal advogada, esposa do ministro, fosse alguém de expressão jurídica, que revolucionasse o direito pátrio, talvez até mereceria tais valores. Mas não é. Ela tem o que nós não temos: influência na suprema corte.
Nota-se que nesta semana que passou, tudo quanto é notícia ruim circundou o tal banco master – inclusive grande parte do dinheiro vindo de contribuição dos servidores do município de araras também foi vitimado em decorrência da liquidação do banco (ou por má gestão ou falta de conhecimento do órgão previdenciário local, que jogou dinheiro bom em investimentos de alto risco e sem lastro).
Tudo o que gira em torno desse episódio do banco master, no mínimo é nojento. A relação vista com ministros do supremo nesse episódio é assustadora. Há na minha ótica, conflitos flagrantes de interesses, conflitos éticos que colidem com relações de seus cônjuges e amigos relacionados a clientes privados, o que compromete autoridades judiciárias.
Em qualquer país minimamente democrático, o afastamento de ministros que agem dessa forma, ocorreria de forma natural. Mas aqui temos visto já há algum tempo, a venda de influência nos tribunais superiores, protagonizada por grandes escritórios de advocacia ligados umbilicalmente com esposas, parentes e amigos dos ministros. Ao que parece, entre esses ministros foi jogada no lixo a declaração de suspeição frente a casos relacionados a parentes e interesses. Parece não haver o mínimo de pudor em se envolver em julgamentos que são de forma descarada, relacionados a interesses que se mostram no mínimo suspeitos.
A mídia, ora a mídia, parece também patrocinada por interesses escusos. O legislativo, ora o legislativo, se deixa influenciar pelo jurídico pois não sabe legislar de forma adequada.
Vivemos, lamentavelmente, um sistema descaradamente imoral, ilegal, onde o buraco parece ser mais embaixo, face a tanta omissão do congresso nacional, do executivo, da imprensa, e também de nós mesmos.
A pergunta que se tem ouvido é: o que aconteceu com nosso judiciário? Estamos e seremos julgados por este sistema que aí está.


