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Quase 30% dos brasileiros recorrem à IA em busca de apoio para a saúde mental

A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de pessoas e, para muitos usuários, deixou de ser apenas uma ferramenta para pesquisas e tarefas. Os sistemas também passaram a ser utilizados como espaço para desabafos, pedidos de conselhos e até como uma espécie de “terapeuta”.

Especialistas em saúde mental, porém, alertam para os riscos desse comportamento. A principal preocupação é que a inteligência artificial não possui empatia humana, vínculo terapêutico ou os mesmos princípios éticos que orientam a atuação de psicólogos e psiquiatras.

A neuropsicóloga Juliana Gebrim destaca que a tecnologia não substitui a relação construída entre paciente e profissional durante um tratamento.

“Não existe, hoje dia, nenhum tipo de manejo que substitua a relação terapêutica, dentro de um set terapêutico, junto a um psicólogo, a um psiquiatra.”

Outro fator de preocupação é a capacidade dos sistemas de IA de adaptar suas respostas ao perfil de cada usuário. O neurocientista e especialista em inteligência artificial Eduardo Rocha explica que essa característica pode criar uma forte sensação de identificação e acolhimento.

“Você começa a ter uma aderência muito grande entre essa pessoa, que talvez esteja colocando esse conteúdo porque ela está precisando de um acolhimento, de um conselho, de uma solução, de uma diretividade, mas ela está influenciando direta e indiretamente pelo seu próprio conteúdo quem ela é e como ela gostaria que fosse. Isso é um perigo.”

Brasil tem alto índice de uso da IA para questões emocionais

Dados do Mind Health Report mostram que o Brasil está entre os países que mais utilizam inteligência artificial para questões relacionadas à saúde mental. Segundo o levantamento, 70% dos brasileiros afirmam recorrer a ferramentas de IA para gerenciar questões psicossociais.

O estudo aponta ainda que aproximadamente 27% dos brasileiros utilizam regularmente alguma ferramenta de inteligência artificial para diferentes demandas ligadas à saúde mental.

A confiança depositada na tecnologia também chama atenção: 40% dos usuários brasileiros de IA afirmam confiar mais nas plataformas tecnológicas do que em profissionais quando procuram aconselhamento.

Embora possa auxiliar na busca por informações e oferecer suporte em situações cotidianas, especialistas ressaltam que a inteligência artificial não deve ser tratada como substituta de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, principalmente em casos de sofrimento emocional mais intenso.

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