O avanço da circulação de drogas deixou de ser uma questão concentrada apenas nos grandes centros urbanos. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que 83,3% dos municípios que participaram da pesquisa enfrentam problemas relacionados à circulação de drogas.
O estudo foi produzido a partir de informações de municípios brasileiros e mostra o avanço do fenômeno para cidades de pequeno e médio porte. A expansão estaria relacionada, entre outros fatores, à procura por novos mercados consumidores e à criação de rotas alternativas para a distribuição de drogas.
Dos 1.567 municípios que responderam à pesquisa, 1.306 disseram enfrentar problemas com a circulação de drogas. Outros 83 afirmaram não ter esse tipo de problema, enquanto 178 não responderam.
Maioria classifica o problema como médio ou alto
Entre os municípios que relataram enfrentar a situação, 43,9% classificaram o nível do problema como médio, enquanto 37,1% consideraram a situação de nível alto.
Outros 17,5% avaliaram o problema como baixo.
Segundo a CNM, a expansão da circulação de drogas também provoca efeitos que vão além da área de segurança pública e acaba pressionando diferentes setores da administração municipal.

Saúde é a área mais afetada
A pesquisa aponta a saúde pública como o setor mais impactado, citada por 87,7% dos municípios que relataram problemas com drogas.
Na sequência aparecem:
- 🏥 Saúde: 87,7%
- 🤝 Assistência Social: 84,8%
- 🚔 Segurança Pública: 77,6%
- 🎓 Educação: 73,8%
A CNM destaca que o aumento da demanda pode pressionar serviços de atendimento e acolhimento, incluindo a atenção primária e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
A assistência social também enfrenta reflexos, principalmente diante de situações de vulnerabilidade social e pessoas em situação de rua.
Municípios enfrentam falta de estrutura
O levantamento também identificou dificuldades na organização das políticas municipais voltadas ao combate e à prevenção das drogas.
Em 77,2% dos municípios pesquisados não existe Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas. Já 72,2% não possuem um Plano Municipal de Políticas sobre Drogas.
Outro dado chama atenção para a questão financeira: aproximadamente 88% dos municípios não contam com Fundo Municipal de Políticas sobre Drogas, enquanto 77% dependem de recursos próprios para desenvolver ações nessa área.
De acordo com a pesquisa, apenas 3% dos municípios utilizam recursos do Fundo Nacional Antidrogas (Funad).
Expansão para o interior
O estudo aponta que a interiorização do tráfico está ligada à criação de novas redes de distribuição, logística e transporte.
Dados citados no levantamento mostram, por exemplo, que a presença do Comando Vermelho na Amazônia teria aumentado de 128 para 286 cidades entre 2023 e 2025, segundo o estudo Cartografias da Violência na Amazônia.
O levantamento também aponta que o Primeiro Comando da Capital (PCC) possui presença em todas as regiões brasileiras e atua no tráfico de drogas, além de ter expandido atividades para setores da economia formal, segundo investigações mencionadas na reportagem.
CNM defende maior participação federal
Diante dos resultados, a Confederação Nacional de Municípios defende mudanças na gestão do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad).
Entre as medidas propostas estão a criação de transferências regulares de recursos da União para os municípios, o fortalecimento da fiscalização das fronteiras, maior apoio das polícias estaduais e o reforço das redes municipais de saúde e assistência social.
A pesquisa reforça que o enfrentamento da circulação de drogas envolve diferentes áreas da administração pública e não se limita às ações policiais.