Uma investigação da Polícia Civil que busca atingir a estrutura de uma organização suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro levou à prisão de sete pessoas nesta quinta-feira (3), em Rio Claro. A operação foi realizada pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) e ainda estava em andamento durante a atualização das informações.
Batizada de Operação Hidra, a ação contou com o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão. Ao todo, sete suspeitos foram presos.
Segundo as investigações, o grupo tinha atuação no Jardim Araucária e, além da comercialização de drogas, seria responsável por administrar e esconder recursos provenientes das atividades criminosas.
A investigação contou com informações obtidas por meio de relatórios policiais e análises de inteligência financeira. Para o delegado Paulo Hadich, a estratégia é diferente das ações voltadas apenas aos pontos de venda de drogas.
“É o resultado de um trabalho de investigação que já vem há muito tempo e nós não estamos focando mais o tráfico de varejo, as chamadas biqueiras. Nós estamos trabalhando em cima daqueles que coordenam esse trabalho.”
Ainda de acordo com Hadich, entre os presos está um homem apontado como uma das principais lideranças do tráfico no Jardim Araucária.
“Das sete pessoas presas, uma delas é o que o pessoal chama na rua de o dono do Araucária, que é um bairro onde havia o intenso tráfico de drogas”, afirmou.
Veículos de luxo estão entre as apreensões
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam sete veículos, incluindo carros de luxo. Dois deles são blindados. Também foram recolhidas duas motocicletas, joias, dinheiro em espécie, telefones celulares e equipamentos de armazenamento de dados.
O material será analisado e contabilizado pelas equipes responsáveis pela investigação.
A Justiça também autorizou o bloqueio de patrimônio dos investigados. O valor determinado chega a R$ 2.949.977,68, incluindo imóveis ou outros bens que poderão ficar indisponíveis, além de recursos existentes em contas bancárias.
A operação também teve como alvo pessoas apontadas como integrantes da cúpula da organização. Segundo a Polícia Civil, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva contra suspeitos ligados à estrutura de comando do grupo.
Polícia mira estrutura por trás do tráfico
A estratégia adotada na investigação é atingir os responsáveis pela organização e não apenas os vendedores que atuam diretamente nas ruas.
O delegado Paulo Hadich explicou que a prisão de integrantes do chamado tráfico de varejo costuma ter efeito limitado, já que os pontos de venda podem voltar a funcionar rapidamente.
“Quando você faz a prisão dos traficantes de varejo, das chamadas biqueiras, na verdade ele é substituído muito rapidamente. Sai um, entra outro e a gente tem aquela sensação de enxugar gelo.”
Segundo ele, o objetivo é provocar um impacto maior ao alcançar quem coordena a atividade criminosa.
“Quando você mexe nas cabeças, você desestrutura aquela empresa do crime, que é o tráfico de entorpecentes”, declarou.
Por que a operação recebeu o nome de Hidra?
O nome da operação faz referência à Hidra da mitologia grega, criatura representada com várias cabeças. A Polícia Civil utilizou o simbolismo para representar a estrutura formada por diferentes integrantes e frentes de atuação.
Para Hadich, o trabalho de investigação busca identificar e atingir cada uma dessas ramificações.
“Hidra é aquele animal mitológico que possui diversas cabeças. Então, com esse trabalho de investigação, de inteligência, nós temos cortado uma cabeça por vez e o objetivo é cortar todas elas”, finalizou o delegado.


