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Mauricio Marangoni

O preço do voto

De tudo o que temos lido, visto e ouvido o fundo de tudo está no voto. Naquele momento simbólico em que saímos de casa para a escolha de nossos representantes. E não me venha apontar para Brasília como o foco do problema. O brasileiro grosso modo não sabe votar, não sabe escolher.

Isso fica claro pela característica pífia de nossos representantes, em todas as esferas. Um país grandemente desigual sob a ótica socioeconômica, se vê mais agravada sua situação quando se cria – por meros caprichos e interesses políticos – o jogo do ´pobre contra o rico´, o de ´direita contra o de esquerda´ e outros tantos antagonismos que nos apresenta no dia-a-dia. Discursos bonitos com pano de fundo politiqueiro, levam ao engano nossa população, em especial aqueles menos esclarecidos.

Dia desses nosso chefe maior discursou aos brados, novamente polarizando ainda mais a já polarizada situação política nacional. Se perguntar para que, por óbvio, é a clara intenção da perpetuação no poder, o projeto de continuidade, a que preço for. Uns podem questionar se haverá ou não sucesso o intento, mas por certo, já cativou um sem fim de iludidos que creem no resgate de um país melhor, mesmo sendo esse discurso o mesmo usado há mais de vinte anos.

Somos imaturos politicamente. Todos somos. Uns votam por causa da fama do candidato, outros, pasme, porque o pastor ou líder religioso mandou votar. Alguns ainda porque curte a atividade profissional do candidato – um é cantor, o outro ator, outra inclusive já figurou em diversos filmes de sexo explícito. E assim vai.

a cada eleição, incorremos no mesmo erro. Chances de acerto… talvez. Mas não sendo pessimista, mas bem realista, vai demorar muito tempo para mudarmos o cenário que nos cerca do ponto de vista político. Vemos mandos e desmandos desde nossa cidade até o alto posto da política. Vemos interesses pessoais sobressaindo aos coletivos. O pior é que a classe política que temos herdado há décadas, só tem piorado, e não só graças às más escolhas nossas, brasileiros, mas pela queda gradativa da qualidade daqueles que se oferecem para representar a população.

Tornaram a classe política em todas as esferas tão desacreditada e sem crédito, que somente os mesmos rodeiam os cargos eletivos existentes para se governar, seja na união, nos estados ou nos municípios. Além do ceticismo para com a classe política, o receio do envolvimento nessa sopa de corrupção, incompetência e mesmice, acaba por assustar e afastar nomes que eventualmente poderiam dar uma expectativa positiva para nosso país.

Talvez uma reforma política, onde se discutisse com seriedade e firmeza a questão da reeleição, os critérios rígidos para se habilitar a um cargo eletivo, e outros gatilhos para frear o aumento do descrédito da classe política, poderiam convergir para um horizonte de mínima esperança que fosse, para fazer valer a confiança e esperança na melhora da situação que vivemos.

Sem entrar no mérito da insegurança jurídica que estamos passando (assunto para breve), a responsabilidade isso também é nossa, que não sabemos votar, não sabemos exercer o direito ao voto, nem ao menos sabemos cobrar com firmeza aqueles que escolhemos para nos representar. O tema é sério e extenso. Falta ao brasileiro serenidade e sabedoria ao escolher seus representantes, deixar de lado interesses pessoais ou corporativos, com foco naquilo que poderá trazer melhorias ao coletivo.

Não adianta nada votar por votar, sem consciência e objetivo. Infelizmente, não sabemos votar. Aliás, perguntar não ofende: você se lembra em quem votou nas últimas eleições?

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