Esta semana assistimos nova discussão acerca da não votação da medida provisória do governo federal que buscava oficializar a elevação de uma saraivada de impostos (IOF etc.). A quarta-feira dia 7 foi o dia decisivo, e o Congresso (leia-se Câmara dos Deputados e Senado) quedou-se inerte ao intento do Governo. Assim, encaçapada a proposta. As repercussões foram muitas; para variar, dos dois únicos lados que mais são vistos hoje na política nacional – os da direita e os da esquerda. Estes últimos, prepostos do Governo Lula, lamentaram a ‘perda’ de cerca de 18 bilhões em arrecadações, pregando prejuízos ao povo brasileiro, imputando ao governador de São Paulo e à Família Bolsonaro (que protagonizam a direita), um trabalho de ‘jogo contra’ no Congresso. Já do lado da direita, discurso de ‘vitória’ pelo não aumento da taxação aos já tão taxados brasileiros.
O pano de fundo de tudo isso não está na possível razão de um lado ou de outro: está na falta de propostas de ambos os lados para a solução do custo da máquina pública hoje. Em todas as esferas, de todos os poderes, ninguém, absolutamente ninguém discute o que se gasta para manter uma estrutura que muitas das vezes se mostra desnecessária. Me atentando apenas ao Executivo e Legislativo em Brasília já que o foco do artigo é a tal queda do IOF, deixando por ora de comentar sobre o Judiciário, os Estados e Municípios país afora, temos por óbvio um custo insuportável para manter toda essa gente, toda essa estrutura, assumida por aqueles pagadores de impostos.
Não sei ao certo dizer se nossa estrutura federativa se mostra eficiente para arcar com tudo isso; com tanta gente gravitando nesses poderes, nomeados ou concursados, somados a cartões corporativos, benefícios, incorporação de penduricalhos, aposentadorias e outros tantos benefícios sequer conhecidos do brasileiro médio, a não votação para efetividade da medida provisória que ‘buscava’ uma majoração de arrecadação de 18 bilhões para os cofres da União, por certo, e com certeza, não viriam em prol de qualquer ação social do governo. Viria sim para ‘apagar o fogo’ desse custo insuportável de uma máquina que só é engraxada por dinheiro, pelo dinheiro do contribuinte, e pior, sem mostrar qualquer eficiência ao fim a que teoricamente deveria se destinar – cuidar da coisa pública.
De nada adiante dizer que as chamadas consequências imediatas da não votação da tal mp serão contundentes ao governo e trarão prejuízos aos cidadãos; os discursos políticos vazios que surgem nesse sentido, não se sustentam quando não se enfrenta de forma ampla e aberta, o corte dos gastos dessa estrutura que se compara a um grande elefante repousando sob uma frondosa sombra, estrutura essa que pouco produz e em nada soma ao interesse daqueles que a sustenta. Nem quero tecer comentários – por ora – acerca de cartões corporativos, uso indiscriminado de benefícios de transporte, aviões da FAB (aliás sucateada, e em breve escreverei sobre isso), e outros mais, gastos esses que se mostram além de exorbitantes, contrastantes com a forma que nosso povo grosso modo vive.
O que vemos hoje nesse país, é um extremismo ignorante de ambos os lados, extremismo que beira uma patologia (quando de fato até é mesmo), e que não toma medidas visando diminuir os gastos públicos para manutenção.
Culpa de quem ?
Talvez nossa, que há décadas não sabemos sequer votar…


