Uma situação chocante foi descoberta durante a abertura de um apartamento adquirido em leilão judicial em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A nova proprietária encontrou o corpo da antiga moradora dentro do imóvel, onde, segundo estimativas da Polícia Civil, estaria há aproximadamente um ano.
A descoberta aconteceu na quinta-feira (5), quando a compradora decidiu entrar no apartamento para providenciar a retirada dos móveis e organizar a ocupação do imóvel.
A vítima foi identificada como Marilene de Fátima, de 53 anos. O corpo estava sobre uma cama, envolvido em lençóis e cobertas, em avançado estado de decomposição.
Imóvel permaneceu fechado durante meses
A mulher que adquiriu o apartamento, identificada como Kalina Poliana Silva, havia arrematado o imóvel judicialmente cerca de dois meses antes. Desde então, tentava conseguir contato com a antiga proprietária por intermédio da síndica do condomínio, mas não obtinha respostas.
Com a necessidade de liberar o apartamento, ela contratou um chaveiro para abrir a porta. Ao entrar no imóvel, percebeu uma situação estranha no quarto e acabou descobrindo que havia uma pessoa morta sobre a cama.
Profundamente abalada, a compradora deixou o local. O chaveiro acionou as autoridades.
Vizinhos acreditavam que a moradora havia se mudado
Um dos aspectos que chamaram a atenção dos investigadores é que a ausência da mulher não havia provocado suspeitas entre os moradores do condomínio.
Segundo relatos, Marilene teria comentado anteriormente que estava se relacionando com um homem e que pretendia deixar Patos de Minas para morar em Varjão de Minas, município situado a aproximadamente 70 quilômetros de distância.
A síndica informou que sua última comunicação com a antiga proprietária ocorreu por WhatsApp, em outubro de 2025. Desde então, acreditava que ela havia se mudado.
A Polícia Civil informou que não havia registros anteriores de boletins de ocorrência relacionados ao desaparecimento da mulher.
Cartas deixadas pela vítima serão analisadas
Durante a perícia, foram encontrados diversos documentos manuscritos próximos ao corpo. As cartas continham mensagens de despedida e orientações sobre o próprio sepultamento, além de instruções relacionadas ao pagamento de contas.
O material foi recolhido pelos peritos e será analisado durante a investigação.
Uma das hipóteses consideradas pelas autoridades é de que a morte tenha ocorrido por intoxicação provocada por medicamentos ou substâncias tóxicas. Entretanto, não foram identificados sinais aparentes de violência no corpo nem indícios de arrombamento no apartamento.
A Polícia Científica recolheu amostras biológicas que serão encaminhadas para exames laboratoriais em Belo Horizonte. O corpo foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML).
Compra do apartamento poderá ser questionada na Justiça
A descoberta também trouxe consequências para a negociação imobiliária. A atual proprietária manifestou interesse em desfazer a compra e sua equipe jurídica estuda medidas para tentar anular o leilão.
A defesa pretende verificar se a antiga moradora ainda estava viva quando recebeu as notificações referentes à dívida do financiamento. Caso seja constatado que ela já havia falecido antes dos procedimentos legais, poderão surgir questionamentos sobre a validade da venda judicial.
A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da morte, enquanto aguarda os resultados dos exames periciais.


