O ator Gracindo Júnior morreu aos 83 anos. A informação foi divulgada pelo também ator e amigo Leonardo Brício, que relatou ter acompanhado os últimos momentos do artista ao lado da família.
A causa da morte não foi informada. Também ainda não foram divulgados detalhes sobre o velório e o sepultamento.
Em uma homenagem publicada nas redes sociais, Leonardo Brício lamentou a perda e contou que estava ao lado da esposa e dos filhos de Gracindo Júnior no momento da morte.
Mais de seis décadas dedicadas à arte
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, Gracindo Júnior iniciou a carreira ainda adolescente. Aos 15 anos, em 1959, foi aprovado em um teste para a Rádio Nacional, onde trabalhou como ator, redator e disc-jóquei.
Filho do consagrado ator Paulo Gracindo, ele chegou a estudar psicologia, mas decidiu seguir os caminhos do pai e construiu uma carreira que ultrapassou a atuação. Ao longo dos anos, trabalhou também como diretor, produtor, redator e supervisor de dramaturgia.
Sua trajetória foi marcada por passagens por importantes emissoras brasileiras, incluindo TV Rio, TV Excelsior, TV Tupi, Globo, Manchete e Record.

Presença desde os primeiros anos da TV Globo
Gracindo Júnior fez parte do elenco inicial da TV Globo. Ele foi contratado meses antes da inauguração da emissora, em 1964, e participou de produções que marcaram a primeira fase da televisão brasileira.
Entre seus trabalhos estão novelas como “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração”, “Os Ossos do Barão”, “O Bem-Amado” e “Supermanoela”.
Um dos momentos mais marcantes de sua carreira veio em 1976, com a novela “O Casarão”, de Lauro César Muniz. Na produção, interpretou o pintor João Maciel. A trama tinha uma característica incomum: diferentes períodos históricos eram retratados, permitindo que Gracindo Júnior e seu pai, Paulo Gracindo, interpretassem versões do mesmo personagem.
Também se destacou como diretor
Além da atuação, Gracindo Júnior construiu uma carreira importante atrás das câmeras.
Em 1976, estreou na direção teatral com “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Vianna Filho. Posteriormente, dirigiu trabalhos no teatro e na televisão, incluindo novelas como “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé”.
Também esteve à frente de “Os Trapalhões” e participou da direção e apresentação dos primeiros videoclipes exibidos pelo “Fantástico”.
Em 1978, passou a supervisionar o núcleo de novelas das 18h da Globo, acompanhando processos como montagem, edição, sonorização e trabalho do elenco.
Parceria profissional com o pai
A relação entre Gracindo Júnior e Paulo Gracindo também se estendeu aos palcos.
Em 1980, ele escreveu e dirigiu a peça “Paulo Gracindo, Meu Pai”, criada para homenagear os 50 anos de carreira do pai.
Anos mais tarde, dirigiu as duas últimas peças teatrais protagonizadas por Paulo Gracindo: “Num Lago Dourado”, em 1991, e “A História é uma História”, em 1993.
Trabalhos em diferentes emissoras
Na década de 1980, Gracindo Júnior também passou pela TV Manchete, onde interpretou Dom Pedro I em “A Marquesa de Santos” e Antônio Sampaio em “Dona Beija”.
O retorno à Globo foi marcado por participações em novelas e minisséries como “Tenda dos Milagres”, “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “Araponga”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Explode Coração” e “Anjo de Mim”.
Nos anos 2000, continuou atuando em produções como “Esplendor”, “Aquarela do Brasil”, “Celebridade” e “Como uma Onda”.
A partir de 2006, passou a integrar produções da Record, entre elas “Cidadão Brasileiro”, “Poder Paralelo” e “Rei Davi”.
Teatro e cinema
O palco permaneceu presente durante toda a carreira. Gracindo Júnior participou de mais de duas dezenas de montagens teatrais como ator, diretor ou produtor.
No cinema, também deixou uma extensa lista de trabalhos. Entre os filmes dos quais participou estão “Os Homens que eu Tive”, “Os Trapalhões na Serra Pelada”, “Floresta das Esmeraldas”, “Bufo e Spallanzani”, “A Selva”, “Primo Basílio” e “Segurança Nacional”.
Com uma carreira iniciada ainda na adolescência e construída ao longo de mais de seis décadas, Gracindo Júnior deixa um legado que atravessa rádio, televisão, teatro e cinema brasileiros.