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Mauricio Marangoni

Meio ambiente e dinheiro

Recordamos e vivemos o período da polarização da antiga URSS representando o bloco comunista, e os países capitalistas – liderados ainda pelos Estados Unidos. Paralelo às disputas ideológicas, na última década o que se viu foi a bandeira do domínio econômico do mercado mundial.

A globalização da economia que se aperfeiçoa no início deste século, traz um grande termómetro na indústria automobilística. Aqui em nosso país passamos a ver o surgimento de inúmeras marcas de veículos, sendo as principais delas as lideradas pelos chineses. Há poucos anos atrás, mesmo com a decadência de Detroit, tínhamos uma disputa de GM, Ford e Volkswagem – a alemã mais popular do mundo, dentre outras bandeiras tradicionais.

Hoje, os fabricantes de automóveis se veem numa radical mudança do panorama até então vigente: o desafio do avanço das fabricantes chinesas. A título de ilustração, focando na marca alemã referência nacional, já é prevista uma redução drástica na produção de cerca de nove milhões de veículos no mundo anualmente. Recentemente a direção da marca alemã anunciou a redução do número de modelos de seus veículos, visando a diminuição dos custos e o aumento da competitividade com os chineses.

Por certo há um reconhecimento das marcas tradicionais da indústria automotiva que para sobreviver à transição global dos veículos a combustão para os elétricos, necessário se faz uma alteração de projetos e imposição no mercado, hoje extremamente competitivo. Paralelo à necessidade de readequação das mudanças globais com viés mais ecológico, com a diminuição na emissão de poluentes, a ascensão do motor elétrico é clara.

Mas há que se ponderar sobre o impacto no sistema industrial ainda vigente, e por certo dominante, que é o de veículos movidos por combustível fóssil. Além da questão cultural da adesão à nova modalidade de carros, há que se discutir e analisar que consequências práticas se verá no custo humano dessa mudança. Impactos na mão-de-obra da indústria automobilística convencional é iminente. Além do fechamento de unidades, as fábricas ocidentais das marcas mais destacadas enfrentam a competição do custo operacional das concorrentes chinesas.

A perda dos lucros e a diminuição dos investimentos na sistemática convencional de produção de veículos, somados aos inúmeros subsídios de governos às montadoras chinesas que se instalam por aqui, levam ao fomento do aumento de oferta da mobilidade elétrica, em detrimento do padrão convencional.

O contágio da motorização elétrica já é sentida no dia-a-dia do tráfego nacional. Basta saber se o intento primeiro de uma mudança no perfil de escolha por uma energia alternativa – baseada no discurso de proteção do meio-ambiente – não levará a um aumento significativo no consumo de energia elétrica para abastecimento dos veículos que chegam ao mercado.

Essa cadeia poderá fazer surgir (senão agravar) uma crise na produção e no fornecimento de energia elétrica, lembrando que temos uma rede de produção e distribuição bastante deficiente e atrasada, há tempos sem investimentos, e que tem colapsado com simples oscilações climáticas.

Por fim, a perda de empregos é não menos importante, visto ser claro que a vinda de peças chinesas para montagem de veículos no Brasil, tem origem num sistema de produção nada protetivo e pouco regulamentado, muito distante do que temos por aqui.

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