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Justiça suspende registro de CAC de pai de estagiária que matou instrutor de academia em Araras

A Justiça de Araras (SP) determinou a suspensão cautelar do registro de CAC (colecionador, atirador desportivo e caçador) de Daniel Yoneshige, de 41 anos, que matou o instrutor de academia Nelson Ré Soares, de 29, na sexta-feira (22), no Jardim das Flores.

O caso segue em investigação da Polícia Civil e inicialmente foi considerado como legítima defesa. O instrutor teria ameaçado a filha de Daniel, que era estagiária na academia e, após um discussão, também agrediu a jovem, segundo a defesa. O atirador declarou que efetuou os disparos em defesa da filha e que a vítima veio em sua direção, disparando para que ele não se aproximasse.

Suspensão de registro de CAC
Na decisão de suspensão do registro de CAC, o juiz afirma que há “indícios de irregularidade do porte da arma utilizada para o cometimento do homicídio”. Segundo a polícia, ele tinha autorização para posse de arma, que é a permissão para adquirir uma arma de fogo.

A defesa alegou que ele voltava de um clube de tiro e, por isso, estava armado. Mas, conforme depoimento de Daniel, o juiz afirmou que “ele saiu armado de casa com a arma sem que estivesse em trânsito para estande de tiro, e sabendo que iria se encontrar em situação potencialmente conflituosa”.

O Ministério Público não pediu a prisão preventiva. Yoneshige não tinha passagens pela polícia e trabalha e mora na região da comarca. Com isso, o juiz concedeu a liberdade provisória sem fiança, “sob a condição de comparecer perante a autoridade policial e judiciária todas as vezes que for intimado para atos do inquérito, da instrução criminal e para o julgamento”.

Crime após discussão e agressão

De acordo informações do Boletim de Ocorrência, o instrutor da academia teve desentendimentos com a estagiária e a irmã dela, que também trabalhava no local.

Duas ocorrências já tinham sido feitas na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) contra o instrutor da academia. A Secretaria de Segurança Pública informou que uma era sobre constrangimento em ambiente de trabalho e a outra por ameaça. Não foram informados detalhes das ocorrências.

Após o pai ter reclamado da ação do instrutor ao gerente da academia, os problemas aumentaram. O advogado de defesa do pai da jovem, Rafael Schimidt, disse ao g1 que, na noite de sexta, o instrutor ameaçou a estagiária. Ela ligou para o pai ir buscá-la na academia porque estava apreensiva.

O pai retornava do clube de tiros e, ao chegar ao local de trabalho da filha, o instrutor teria ido até o carro e começado uma discussão. Segundo o advogado, o pai pediu para o rapaz se afastar, mas ele agrediu a estagiária com um soco no rosto. “O pai pediu para o rapaz parar, mas ele foi para cima. Ele sacou a arma, deu aviso de parada, ele não parou. Ele efetuou um disparo, o rapaz não parou, ele efetuou outro disparo e o rapaz veio a solo. Depois viemos saber que ele veio a óbito”, contou o advogado.

O professor foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O g1 não conseguiu contato com a família dele. A academia foi procurada, mas informou que o caso está sob investigação e não tinha mais o que dizer a respeito. Daniel foi abordado pela Polícia Militar em Limeira, a cerca de 38 km de Araras, e foi levado para a Central de Polícia Judiciária, onde confessou o crime. Segundo a Polícia Civil, ele apresentou a chave de um cofre onde havia guardado a pistola ponto 380 usada no crime, que foi apreendida.

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