O governo brasileiro recusou os pedidos de visto apresentados por dois representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam visitar o Brasil antes das eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro. A decisão foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e confirmada nesta sexta-feira (24).
Os diplomatas são Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Os nomes dos dois foram citados em uma reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, que apontou a existência de uma estratégia para levantar questionamentos sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
De acordo com informações da diplomacia brasileira, a missão foi considerada incomum. Embora o Brasil costume receber observadores internacionais durante o período eleitoral, a avaliação do governo é de que os dois integrantes da delegação norte-americana não exerceriam essa função, o que motivou a negativa dos vistos.
A decisão foi tomada antes mesmo da publicação da reportagem do jornal americano.
Após a repercussão do caso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou uma nota afirmando que a viagem teria como finalidade promover reuniões com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil para tratar de temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
O órgão norte-americano também rejeitou a interpretação de que a visita teria qualquer objetivo de interferir no processo eleitoral brasileiro. Enquanto isso, o governo brasileiro mantém a posição de que a missão não se enquadrava no modelo tradicional de observação internacional das eleições.


