Uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) mobilizou mais de 160 policiais militares e promotores de Justiça nesta terça-feira (15) para desarticular uma organização investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Itatiba e Campinas, no interior de São Paulo.
Batizada de Operação Nexus, a ação cumpriu 26 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão. Do total de buscas, 23 foram realizadas em Itatiba e três em Campinas.
Entre os alvos estão um vereador de Itatiba, um policial militar e três estabelecimentos do setor automotivo — dois localizados em Itatiba e um em Campinas.
A operação é realizada pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Militar, com participação de equipes dos 1º e 10º Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep), Corregedoria da PM, helicóptero Águia e cães farejadores.
Investigação aponta estrutura organizada
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado teria uma estrutura dividida por funções. Havia integrantes responsáveis pelo comando da organização, distribuição e venda de drogas, logística, vigilância e movimentação de recursos obtidos ilegalmente.
Um dos mecanismos identificados pelos investigadores seria um sistema de monitoramento 24 horas instalado em Itatiba. A estrutura permitiria acompanhar a movimentação das forças de segurança.
De acordo com o Gaeco, os integrantes recebiam alertas sobre a aproximação de policiais e, com isso, conseguiam esconder drogas, abandonar pontos de venda ou interromper temporariamente as atividades criminosas.

Vereador está entre os investigados
O vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco, conhecido como Du Guaca (MDB), também é alvo da investigação.
Mandados de busca foram cumpridos na residência do parlamentar e na Câmara Municipal de Itatiba.
Conforme o Gaeco, o vereador é investigado por uma possível participação no núcleo responsável pelo monitoramento da movimentação das forças de segurança.
Investigação envolve carros de luxo
Um dos principais alvos da operação é um homem conhecido como “Tim”, apontado pelo Gaeco como integrante do PCC e que possui antecedentes por crimes como tráfico de drogas e roubo.
Segundo o Ministério Público, ele e a esposa estariam ligados aos núcleos de comando e lavagem de dinheiro da organização. Os dois são alvos de mandados de prisão e residiam em um condomínio de alto padrão em Itatiba.
Durante as investigações, os agentes identificaram a compra e negociação de mais de 20 veículos de luxo, incluindo modelos de marcas como Lamborghini, Ferrari e Porsche.
Lojas são investigadas por lavagem de dinheiro
Três lojas de veículos também entraram no radar do Gaeco. Duas ficam em Itatiba e uma em Campinas.
A suspeita é de que os estabelecimentos tenham sido utilizados para movimentar ou ocultar recursos provenientes das atividades criminosas.
Segundo o Ministério Público, o proprietário de uma das lojas teria realizado pagamentos relacionados ao principal investigado e atuaria como uma espécie de suporte financeiro.
Os valores identificados pelos investigadores durante a apuração ultrapassam R$ 2 milhões.
PM também é alvo da operação
A Corregedoria da Polícia Militar participou da ação e cumpriu mandados relacionados a um policial militar investigado por uma possível ligação com “Tim”.
Até o momento, o Ministério Público não divulgou detalhes sobre qual teria sido a participação atribuída ao policial no esquema.
Prisões
Segundo a Polícia Militar, os cinco mandados de prisão foram cumpridos contra:
- Maiara dos Santos Pedroso;
- João Vitor Giopapo de Oliveira;
- Reginaldo Pereira da Silva;
- Roseli de Souza Figueiredo;
- Geovane Aparecido da Silva.
Além dessas prisões, Anderson Uchoa Rodrigues de Souza foi detido em flagrante por suspeita de tráfico de drogas durante a operação.
As investigações continuam para esclarecer a participação individual dos envolvidos e a extensão da estrutura criminosa. Até a última atualização, as defesas dos investigados não haviam sido localizadas.