O Paraguai vive um dos episódios políticos mais graves de sua história recente. O ex-presidente Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado. A determinação partiu do Ministério Público, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o Ueno Bank.
Após a ordem de prisão, Peña deverá permanecer inicialmente em sua residência, sob custódia, até ser apresentado às autoridades responsáveis pela investigação. A determinação também alcançou Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central paraguaio, que deverá ficar detido em uma unidade indicada pela Polícia Nacional.
Impeachment foi aprovado por unanimidade
A prisão ocorreu depois que o Senado paraguaio concluiu o processo de impeachment de Santiago Peña. A votação terminou com 44 votos favoráveis à destituição e nenhum voto contrário, com uma ausência.
Com a decisão, o então presidente perdeu o mandato e deixou de contar com as prerrogativas institucionais vinculadas ao cargo. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do país.
Escândalo bancário provocou queda do governo
A crise começou após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição financeira que enfrentava problemas de solvência. A medida deixou aproximadamente 3 milhões de clientes com dificuldades para movimentar suas contas e acessar os próprios recursos.
As investigações apuram suspeitas de operações financeiras irregulares, incluindo empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição.
Santiago Peña está sob investigação por possíveis conflitos de interesse e suspeitas de favorecimento ao banco. Antes de chegar à Presidência, ele manteve participação societária em uma empresa ligada ao grupo financeiro, vínculo que teria sido encerrado em março de 2025.
As autoridades também investigam possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos à instituição.
O caso provocou manifestações populares, forte desgaste político e uma crise institucional no Paraguai. As investigações continuam, e os suspeitos ainda terão de responder às acusações perante a Justiça.


