A Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar e foi rebaixada do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro na apuração realizada nesta quarta-feira (18). A agremiação fazia sua estreia na elite do carnaval carioca e, ao longo da leitura das notas, recebeu apenas duas notas 10.
Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola levou para a Marquês de Sapucaí a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde a infância no Nordeste, a migração para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico, a liderança sindical e a chegada à Presidência da República.
A comissão de frente encenou a rampa do Palácio do Planalto, em referência à última posse presidencial, com representações de integrantes da sociedade civil. Durante o desfile, atores também representaram o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O carro abre-alas retratou o agreste pernambucano, região onde Lula nasceu, mesclando elementos de exuberância e escassez. Em outra alegoria, a escola fez críticas às políticas do governo Bolsonaro, especialmente na condução da pandemia, além de mencionar a prisão do ex-presidente.

Problemas na dispersão
Além da pontuação baixa, a escola enfrentou dificuldades na dispersão. Alegorias ficaram presas na saída da avenida, o que causou atraso e correria no encerramento da apresentação. A escola seguinte, a Imperatriz Leopoldinense, alegou ter sido prejudicada pelo incidente.
Questionamentos judiciais
O enredo foi alvo de pelo menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União (TCU), que tentaram impedir o desfile ou suspender repasses de recursos públicos.
As ações sustentavam que trechos do samba e da apresentação poderiam configurar propaganda eleitoral antecipada, o que é vedado antes de 16 de agosto pela legislação eleitoral. Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Sapucaí e restringir manifestações consideradas ataques a adversários políticos.
O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que, por unanimidade, negou liminar para impedir o desfile, sob o entendimento de que a medida poderia caracterizar censura prévia. Os ministros, contudo, destacaram que eventuais condutas poderiam ser analisadas posteriormente.
Após a decisão, o Partido dos Trabalhadores (PT) orientou integrantes a evitar atos que pudessem ser interpretados como propaganda antecipada. O governo federal afirmou que não participou da escolha do enredo e que o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente.
Depois do desfile, Lula elogiou a apresentação nas redes sociais. Parlamentares de oposição anunciaram novas medidas judiciais, alegando promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos.
Na segunda-feira (16), a escola divulgou nota pública afirmando ter sofrido perseguições durante a preparação para o carnaval em razão do enredo escolhido.