A Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em contratos da empresa 3Structure It Ltda com órgãos do governo federal. A apuração ganhou novo impulso após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizar a abertura de um inquérito para analisar possíveis irregularidades na atuação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações foram divulgadas na tarde desta segunda-feira pelo Portal Metrópoles.
Entre os fatos apurados está um pagamento de R$ 150 mil realizado pela 3Structure It à RL Consultoria e Intermediações Ltda., empresa que tem como sócios a empresária Roberta Luchsinger e seu pai. Roberta é apontada como amiga de Lulinha.
Segundo a investigação, a PF busca esclarecer a relação entre Lulinha e o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure It, empresa especializada em tecnologia da informação que firmou contratos com o governo federal.
Levantamento aponta que a companhia celebrou seis contratos com órgãos federais, somando cerca de R$ 85,7 milhões. A maior contratação foi feita pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, com valor superior a R$ 42 milhões para serviços na área de tecnologia. Outro contrato, de aproximadamente R$ 19,3 milhões, foi assinado neste ano para implantação de uma nova solução de backup.
A Polícia Federal também menciona que a RL Consultoria recebeu anteriormente repasses que totalizam R$ 1,5 milhão do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, fato que também integra o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que há uma “pesca probatória” conduzida por setores da Polícia Federal contra o filho do presidente.
Já o empresário Cleber Ribas declarou que a contratação da RL Consultoria teve como objetivo a prestação de serviços de assessoria comercial. Segundo ele, “o pagamento de R$ 150.000,00 (…) foi realizado de forma absolutamente legítima, regularmente escriturada, contabilizada, tributada e documentada”.
Ribas também sustentou que “a contratação da RL Consultoria (…) não guarda qualquer relação com os contratos celebrados pela empresa com órgãos do Governo Federal”, acrescentando que as contratações públicas ocorreram por meio de processos licitatórios e foram realizadas em conformidade com a legislação vigente.
As investigações seguem em andamento para apurar se houve ou não prática de tráfico de influência ou corrupção na relação entre os envolvidos.


