As eleições de 2026 provocaram uma mudança significativa entre os nomes ligados a igrejas que disputaram vagas no Legislativo em São Paulo. Parlamentares e lideranças religiosas com trajetórias consolidadas não conseguiram votos suficientes para permanecer ou chegar à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
Entre os nomes que ficaram fora estão Gilberto Nascimento, David Soares, Cezinha de Madureira, Edna Macedo e Missionário José Olímpio, além de outros candidatos identificados com diferentes denominações religiosas.
Votos não foram suficientes para a reeleição
Um dos resultados de maior repercussão foi o de Gilberto Nascimento (Podemos). Pastor ligado à Assembleia de Deus e presidente da Frente Parlamentar Evangélica desde 2025, ele recebeu 43.977 votos e não conseguiu renovar o mandato de deputado federal.
Outro nome conhecido entre os evangélicos, David Soares (Podemos), filho do missionário R. R. Soares, também ficou sem vaga. Ele recebeu 61.366 votos na disputa pela Câmara dos Deputados.
O irmão de David, Daniel Soares (União), disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas também não foi eleito. Ele terminou com 53.812 votos.
Outros nomes ligados a grandes igrejas
A lista de derrotados inclui ainda Cezinha de Madureira (PL), pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, que recebeu 60.596 votos e não conquistou um novo mandato federal.
Também ficaram fora da Câmara Missionário José Olímpio (PL), com 52.030 votos, e André Santos (Republicanos), bispo ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, que obteve 71.621 votos.
Na disputa estadual, Edna Macedo (Republicanos), irmã do bispo Edir Macedo, recebeu 55.086 votos, mas não conseguiu a reeleição para a Assembleia Legislativa.
Candidatos ligados ao catolicismo também não foram eleitos
O desempenho das candidaturas associadas à religião não ficou restrito ao segmento evangélico.
Padre Kelmon (PL) recebeu 21.411 votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Padre Silvio Andrei (Avante) terminou com 26.409 votos. Nenhum dos dois conseguiu se eleger.
O que o resultado indica
O desempenho desses candidatos mostra que a ligação com grandes denominações religiosas não garantiu, por si só, a conquista de uma cadeira no Legislativo paulista.
Nomes com histórico de atuação política e forte identificação com comunidades religiosas enfrentaram uma eleição em que a quantidade de votos obtida individualmente não foi suficiente para assegurar a permanência no Congresso ou a chegada à Assembleia Legislativa.
O resultado abre espaço para novas análises sobre a força do chamado voto religioso em São Paulo e sobre as estratégias adotadas por igrejas e lideranças para transformar influência social em representação política.


