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Mauricio Marangoni

É carnaval…

…É a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração! Inicio minha participação hoje, às vésperas dos festejos de Momo, relembrando a ideia de que o carnaval traz um promessa de vida e de ilusões! Essa parte foi pinçada do Samba Enredo da Mangueira, de 1992, que aqueles que como eu, curtiram intensamente aquele momento mágico das melhores escolas de samba que o Rio de Janeiro já teve!

A alegria do carnaval nos chamava a sentimentos de esperança, desenvolvimento, alegria e ilusões! Aliás o carnaval tem muito a ver com nossa cultura, pela qual efetivamente grande parte da população se desliga da realidade, mentalizando numa situação de melhora de vida ideal, buscando se esquecer do cotidiano.

Confesso que vivi anos hipnotizado pelo carnaval, pela diversão, alegria e descontração que o momento nos proporciona. Mas o tempo passa, tudo passa, tudo flui. Quando recortei essa frase do saudoso hino da Mangueira – que aliás naquele momento histórico enalteceu o grande Tom Jobim – busquei confrontar o momento que vivíamos, com aquilo que se apresenta a nós hoje, todos os brasileiros.

Pós Collor, ex-presidente que caiu por causa de um projeto (hoje modesto) de jardinagem, e um Fiat Elba zero quilômetro (que convenhamos, uma porcaria de um carro), me deparo com uma situação caótica, onde tudo se pode, e nada é punido, principalmente vindo de autoridades constituídas, que teoricamente, deveriam bem representar os poderes que compõem a federação.

O carnaval que outrora era influenciado e bancado por bicheiros, os famosos e ainda fortes contraventores penais, é hoje financiado com dinheiro público, e pasme, para patrocínio de um determinado candidato, cujo tribunal eleitoral (onde grande parte dos componentes por ele indicados) diz que nada de errado acontece.

De outra banda, nossa cambaleante Polícia Federal encontra ligações de ministro do supremo com o banqueiro fraudador do sistema financeiro. Temos ainda a convergência de opiniões de ministros da suprema corte, que comprometem a imparcialidade de um de seus pares. Ministro da suprema corte recebeu milhões de banqueiro quebrado. Paralelo a isso, um legislativo cabisbaixo diante das ligações de grande parte de seus membros com escândalos envolvendo INSS, consignados, quebra de bancos, resorts de luxo etc.

A partir de amanhã, notem, teremos um silêncio sepulcral de todos esses escândalos e problemas que assolam a todos nós brasileiros. Não se pode admitir que se vendam por causa do carnaval, pela cerveja, pela animação da festa, ou do gás gratuito, sem se distanciar da preocupação com as fraudes bilionárias contra nossos cofres, contra nossos aposentados, crimes esses que comprometem membros dos três poderes. Meu receio é de que nesse clima de anestesia generalizada, onde a grande imprensa focará informações e notícias acerca das tidas como festas populares país afora, deixando de focar naquilo que realmente contamina e dilacera o Brasil, se passe em silêncio, substituído por samba.

E nesse ensurdecedor silêncio, nosso país continuará sendo saqueado, e aqueles que nos governam e regem a nação, terão a oportunidade – estejam certos – de jogar sob o ‘tapete’ as provas da cumplicidade generalizadas que vemos entre membros dos três poderes do Brasil.

Quem acompanha minhas participações às sextas feiras ao vivo pelo Debate da Clube FM, sabe bem que sou bem ácido com tudo o que está acontecendo; e sou agora, em especial, com o momento de frenesi que o carnaval transmite a grande parte dos brasileiros, temo pela manutenção da impunidade que reina.

Enfim, gosto do carnaval, torço – ainda – para que algo significativo melhore para o brasileiro ! E mesmo preocupado com nossa situação, desejo ao brasileiro em geral, o que a Mangueira fez ecoar em 1992: “é carnaval, é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração”.

Curtam o carnaval, com juízo.

Rádio Clube • 101,7 FM 🔴 AO VIVO
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