Numa das leituras que fiz esses dias, o tema educação surgiu como um ponto alto na aviação do governo federal. Não creio nisso. O cotidiano do nosso povo mostra que a qualidade da educação e o investimento nesta pasta é cada ano pior. O analfabetismo funcional – que é a incapacidade das pessoas interpretarem textos simples, realizar operações matemáticas básicas e até mesmo utilizar-se da leitura e escritas corriqueiras no dia-a-dia – é prova inquestionável da nossa perda de qualidade na educação.
Essa modalidade de analfabetismo, aliás, bate quase trinta por cento da população do país, lamentavelmente. Tenho dito frequentemente que por óbvio não tem sido interesse dos governos o investimento na educação efetiva do seu povo, mesmo porque esse povo munido de instrução e conhecimento, passará a votar diferente da forma que tem votado.
Em sendo um processo complexo que envolve desenvolvimento intelectual e moral, a educação está estagnada, o que limita a formação plena dos cidadãos e sua inserção social. A educação com pouco investimento afeta ainda a cidadania, prejudicando o acesso a valores, boas maneiras, civilidade, e principalmente, o estímulo à crítica. Claro que esse trabalho politico de desvalorização das políticas de educação dos últimos tempos, envolve também a depreciação da carreira docente e das estruturas das escolas.
A escola em si, não é somente o prédio, as carteiras e lousas. A escola é a preparação adequada de seus professores, dos colaboradores que circundam a rotina do ensino regular. O desestímulo a esta necessidade da educação, esbarra também na remuneração dos profissionais do ensino.
Focando o tema para nosso umbigo, esta semana tivemos eclodido o movimento de greve do servidor municipal em nossa cidade. Sempre entendi que os pilares básicos da obrigação do município para com o cidadão são a segurança, a saúde, a zeladoria e a educação. Quando da judicialização desse movimento grevista – que friso é legítimo – me causou estranheza o próprio judiciário não considerar a educação pelo como ‘prioridade’. Exigiu-se funcionamento de outras áreas da cidade, à exceção da educação.
Além do grande prejuízo às crianças que ficam sem acesso as aulas, o prejuízo vem também aos pais que trabalham e não tem com quem deixar seus filhos. Pude constatar inúmeras pessoas que sofreram com a falta de escola para levar seus filhos, enquanto trabalham.
A discussão acerca dos parcos salários pagos aos servidores públicos é premente, e uma solução do executivo e legislativo deve ser rápida: necessário um reestudo imediato de um plano de carreira, a valorização da classe e a colocação dos salários num patamar para que cumpra seu dever social, de suprir as necessidades essenciais desses trabalhadores.
As lesões que crianças e famílias sofrem com esse descaso também para com a educação vai muito além dos interesses e necessidades da classe: conflitam com a necessidade do cidadão comum, que vê na escola, não só o sonho do encaminhamento dos seus filhos à condição de cidadãos decentes, mas também à oportunidade de poderem trabalhar para manter suas famílias, contando com o tempo em que os filhos ficam nas escolas.
A educação é essencial, é primordial, é necessária em nossa coletividade; o profissional da educação – em especial do serviço público – merece o respeito e a valorização através do salário digno, paralelo à cobrança de seu preparo e qualificação para tal mister. As crianças e jovens deveriam ter aulas em tempo integral, tanto para seu aperfeiçoamento pessoal quanto para o crescimento e evolução do convívio em seus lares pelo trabalho digno de seus responsáveis. Talvez utópico, mas seria muito agradável se isso acontecesse.
As reivindicações dos servidores – em especial da educação – são legítimas: plano de carreira, salários dignos, valorização da classe. Mas não considerar a educação como atividade essencial à coletividade é lamentável.
Que nossos políticos se mobilizem para um resultado positivo, que se oferte um plano de carreira com possibilidade de ascensão profissional e ganho real de salários, sem a enganação de suprir a incapacidade de valorização no disfarce de vales ou penduricalhos. A nossa sociedade será grata a isso.


