Em tempos de discussão acerca da redução de jornada sem reduzir salário, aumento do poder de compra do salário no país, me deparei dia desses com a leitura de um episódio ocorrido numa eleição à presidência dos Estados Unidos, no embate entre Clinton e Bush. A equipe de assessoria do Clinton focou seu foco no bem-estar financeiro e a recessão que à época pairava naquele país.
E foi justamente o questionamento do então candidato Clinton ao eleitor antenado, que virou a mesa na hora do voto: it’s the economy, stupid ! – jargão do estrategista do então candidato, uma estratégia de sucesso que o fez vencedor naquela campanha, e advertiu o eleitor norte-americano acerca da importância de ver o sucesso da saúde econômica de todo o país.
Por aqui, enquanto se impõe uma redução de jornada sem se analisar a questão tributária imposta aos empregadores, está fazendo surgir um seguimento de autonomia de atividades, onde as pessoas, por si próprias, estão buscando seu sucesso pessoal, com sua evolução econômica. E assim deverá ser, e os índices por certo aumentarão.
O mercado de trabalho brasileiro está fomentando – em especial entre os jovens – a abolição da busca de emprego formal, com envio de currículos e entrevistas, para a busca de uma verdadeira aventura para abrir seu novo negócio. Os empreendedores tem aumentado significativamente, destacando-se no ramo de serviços e comércio, mas também na construção civil, agropecuária e indústria. Mas há que se observar que esse segmento que surge, a sua grande maioria está na informalidade.
Uns buscam preocupar-se com seu futuro através de previdência privada; outros, criam seu cnpj, recolhendo suas contribuições ao já debilitado INSS. Essa mesma tendência do surgimento da autonomia e empreendedorismo, surge também num momento social em que dos requisitos necessários ao emprego, a pessoalidade e subordinação se mostram em baixa.
Parte significativa dos jovens, com raras exceções, tem evitado e mostrado certa relutância e aversão ao cumprimento de horários rígidos e ordens. Isso se soma ao interesse de criar seu próprio negócio, ser dono do seu próprio nariz. Mas fica aquela advertência sobre o projeto que o empreendedor deve fazer para sua vida e seu futuro: como sobreviver e ter solidificado um projeto de garantia de vida digna quando do passar dos anos. Isso não é simples e nem fácil organizar com a instabilidade econômica, política e insegurança jurídica que vivemos.
Mas a vontade e garra pode ser o fator determinante a se fazer mudar de vida, buscar alternativas e horizontes para sua sobrevivência numa selva onde a economia é o centro de tudo, em que pese alguns governos ignorarem essa realidade.



