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Desinfetante na veia e remédios não prescritos: técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar três pacientes em hospital

Três técnicos de enfermagem foram presos preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal, suspeitos de provocar a morte de ao menos três pacientes internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular localizado em Taguatinga/DF. As investigações apontam que as vítimas receberam substâncias não prescritas, incluindo produto desinfetante aplicado diretamente na corrente sanguínea, além do uso irregular de medicamentos, o que teria provocado paradas cardiorrespiratórias.

De acordo com a apuração, todas as vítimas eram acometidas por obesidade e apresentavam quadro clínico que exigia cuidados intensivos. Dois dos pacientes mortos eram servidores públicos: João Clemente Pereira, de 63 anos, funcionário da Caesb; e Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios. A terceira vítima é Miranilde Pereira da Silva, professora de 75 anos.

As vítimas eram acometidas por obesidade e apresentavam quadro clínico que exigia cuidados intensivos.

 

Segundo a Polícia Civil, os crimes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, mas só passaram a ser investigados após a identificação de um padrão incomum de mortes na UTI da unidade hospitalar. A investigação é conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), no âmbito da Operação Anúbis.

Conforme os investigadores, os técnicos se aproveitaram da rotina hospitalar para administrar medicamentos sem autorização médica. Em pelo menos um dos casos, foi constatada a injeção intravenosa de desinfetante hospitalar, substância altamente tóxica quando aplicada dessa forma. A polícia apurou que o produto teria sido utilizado após o término de um medicamento prescrito, agravando rapidamente o estado clínico da vítima.

A investigação também identificou indícios de falsificação de prescrições médicas. Um dos suspeitos teria acessado sistemas internos do hospital para emitir receitas em nome de médicos, retirar medicamentos na farmácia da unidade e administrá-los sem indicação clínica. As mortes ocorreram em sequência e apresentaram características semelhantes, o que levou a polícia a tratar os casos como homicídios dolosos.

Polícia Civil prendeu os três suspeitos na tarde de segunda-feira (19)

 

Os três suspeitos, com idades entre 22 e 28 anos, foram presos preventivamente por decisão da Justiça. Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil apreendeu celulares, documentos e equipamentos eletrônicos, que serão submetidos à perícia. As autoridades não descartam a existência de outras vítimas e reavaliam óbitos registrados no mesmo período em que os investigados atuavam na unidade de saúde.

Em nota, a direção do hospital informou que está colaborando com as investigações e que os profissionais foram afastados assim que surgiram as primeiras suspeitas. A instituição afirmou ainda que instaurou procedimentos internos para revisar protocolos de segurança, controle de acesso a medicamentos e auditoria de prontuários.

Os técnicos de enfermagem poderão responder por homicídio qualificado, falsidade ideológica e outros crimes relacionados à violação de normas sanitárias. As investigações seguem em andamento para esclarecer a motivação dos crimes, apurar eventual participação de outras pessoas e verificar se falhas estruturais contribuíram para a ação dos suspeitos.

 

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