O número de crianças que passaram a utilizar óculos nos últimos anos tem aumentado de forma significativa, segundo especialistas em oftalmologia. O crescimento dos casos de problemas de visão, especialmente a miopia, tem sido associado a mudanças no estilo de vida infantil, com destaque para o uso cada vez mais precoce e prolongado de telas como celulares, tablets, computadores e televisores.
De acordo com estudos nacionais e internacionais, a miopia — dificuldade para enxergar objetos à distância — tem surgido mais cedo e evoluído com maior rapidez em crianças. Pesquisas apontam que atividades prolongadas de visão de perto, como o uso contínuo de dispositivos eletrônicos, leitura sem pausas e jogos digitais, estão entre os fatores que contribuem para esse cenário. Embora a genética continue sendo um fator relevante, o comportamento visual moderno tem pesado cada vez mais.

Especialistas explicam que o uso excessivo de telas exige esforço constante da musculatura ocular, além de reduzir a frequência do piscar, o que pode causar fadiga visual, ressecamento dos olhos e desconforto. No longo prazo, esse padrão pode favorecer o desenvolvimento ou a progressão da miopia. Outro ponto de atenção é a redução do tempo que as crianças passam ao ar livre, fator considerado protetor para a saúde ocular.
Estudos indicam que a exposição à luz natural durante atividades externas ajuda no desenvolvimento saudável da visão, retardando o aparecimento da miopia. No entanto, com o avanço da tecnologia, mudanças nos hábitos familiares e o aumento do ensino remoto em determinados períodos, muitas crianças passaram a permanecer mais tempo em ambientes fechados e em frente às telas.
Entidades médicas ressaltam que o problema não está no uso da tecnologia em si, mas no excesso e na falta de orientação adequada. Recomenda-se que crianças façam pausas regulares durante o uso de telas, sigam a chamada regra 20-20-20 — a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para algo a pelo menos 20 pés (cerca de 6 metros) de distância — e mantenham uma rotina equilibrada, com atividades ao ar livre.
A recomendação dos especialistas é que pais e responsáveis fiquem atentos a sinais como dificuldade para enxergar de longe, dores de cabeça frequentes, aproximação excessiva de telas e livros, além de queda no rendimento escolar. Consultas oftalmológicas periódicas são fundamentais, mesmo na ausência de sintomas aparentes, já que muitas alterações visuais podem passar despercebidas nas fases iniciais.
O alerta é de que, sem mudanças nos hábitos, a tendência de aumento no número de crianças que usam óculos deve continuar nos próximos anos. O acompanhamento precoce e a adoção de medidas preventivas são apontados como essenciais para preservar a saúde visual infantil.