A morte de um homem condenado por envolvimento nos atos de 8 de janeiro em Brasília foi confirmada neste fim de semana e repercutiu entre familiares e apoiadores.
José Eder Lisboa, adestrador de cães natural de São Carlos (SP), faleceu na noite de sexta-feira (27), enquanto estava na Argentina. A informação foi divulgada pela Associação dos Familiares e Vítimas dos eventos de 8 de janeiro, que acompanha casos ligados às condenações do episódio.
Segundo a entidade, Lisboa estava fora do Brasil e afastado da família. Ele enfrentava problemas de saúde e chegou a permanecer internado por vários dias em um hospital argentino, mas não resistiu.
A advogada Carolina Siebra, que atuava na defesa do adestrador, confirmou o óbito. De acordo com ela, o quadro clínico começou no fim do ano passado, quando houve suspeita inicial de botulismo. Posteriormente, o diagnóstico foi corrigido para Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que atinge o sistema nervoso e pode provocar fraqueza muscular progressiva e até paralisia.
Ainda conforme a defesa, Lisboa estava em processo de recuperação, mas apresentou piora e acabou morrendo. A família agora tenta viabilizar o traslado do corpo para o Brasil. Até a última atualização, não havia retorno oficial do Ministério das Relações Exteriores sobre o caso.

Condenação no STF
José Eder Lisboa havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos e seis meses de prisão em regime fechado por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
O julgamento ocorreu de forma virtual, entre os dias 14 e 21 de junho de 2024. Ele foi responsabilizado por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Além da pena de prisão, a decisão também incluiu sanções financeiras. Lisboa foi condenado ao pagamento de multa e a indenização por danos morais coletivos, cujo valor total estipulado foi de R$ 30 milhões, a ser dividido entre os demais condenados.
Durante o processo, o adestrador afirmou que entrou em um dos prédios públicos para se proteger de explosões e negou participação em atos de depredação. Ele chegou a ser preso em 2023, mas teve a detenção revogada meses depois, passando a responder em liberdade com restrições.