A classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos passa a valer oficialmente nesta sexta-feira (5). A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano no fim de maio e inclui os grupos na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) e de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).
Segundo o governo dos Estados Unidos, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e possuem atuação que ultrapassa as fronteiras do país. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que PCC e CV comandam milhares de integrantes e são responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.
Com a entrada em vigor da medida, autoridades americanas poderão ampliar sanções financeiras contra pessoas, empresas e organizações que mantenham relações com os grupos. A classificação também permite uma cooperação internacional mais rígida no combate ao crime organizado transnacional.

A decisão gerou reação do governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a medida e afirmou que a classificação representa uma interferência em assuntos internos do Brasil. Integrantes do governo também demonstraram preocupação com possíveis impactos diplomáticos e econômicos decorrentes da decisão norte-americana.
Especialistas em segurança pública divergem sobre os efeitos práticos da medida. Enquanto defensores da classificação acreditam que ela pode fortalecer o combate internacional ao crime organizado, críticos avaliam que a decisão pode criar obstáculos na cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos e ampliar tensões diplomáticas entre os dois países.