O aumento recente no preço do diesel em todo o país levou lideranças do setor de transporte rodoviário a intensificarem a mobilização por uma possível greve nacional. A proposta de paralisação ganha força entre entidades da categoria, que defendem a suspensão das atividades já nos próximos dias.
De acordo com representantes dos caminhoneiros, o combustível acumula alta significativa desde o fim de fevereiro, pressionado por fatores internacionais que impactam diretamente o mercado global de petróleo. O cenário elevou os custos do transporte e acendeu o alerta entre profissionais autônomos e empresas do setor.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) manifestou apoio ao movimento e voltou a cobrar medidas urgentes do governo federal para conter o avanço dos preços. A entidade também reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa sobre o cumprimento do piso mínimo do frete.

Entre os grupos que lideram a articulação estão a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam). Segundo lideranças, uma assembleia realizada no litoral paulista reuniu representantes de diferentes estados e aprovou a indicativa de greve, embora a data oficial ainda não tenha sido definida.
A orientação inicial é para que os caminhoneiros suspendam as atividades de forma pacífica, permanecendo em casa ou estacionados em postos, sem bloqueios em rodovias — medida que busca evitar sanções legais.
Os organizadores afirmam que o movimento atual tem caráter econômico e difere de mobilizações anteriores. A principal pauta é o impacto direto do custo do diesel na renda da categoria, considerada hoje insustentável por muitos profissionais.
O governo federal acompanha a situação e reconhece o risco de paralisação. Recentemente, foram anunciadas medidas como isenções e subsídios para tentar amenizar os efeitos da alta. Ainda assim, reajustes nas refinarias continuam pressionando os preços finais.
A Associação Nacional das Empresas de Transporte de Carga (ANATC) avalia que o cenário reúne elementos suficientes para uma nova paralisação de grande escala, semelhante à registrada em 2018.
Enquanto isso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou uma operação de fiscalização em diferentes regiões do país para coibir possíveis abusos nos preços praticados nos postos.
No mercado financeiro, a possibilidade de interrupção no transporte de cargas já provoca reação negativa, com reflexos nas projeções econômicas. A preocupação é com o impacto que uma eventual greve pode causar no abastecimento e na inflação.