Desde a redemocratização, o Brasil já registrou episódios inéditos na história de muitas democracias: a prisão de ex-presidentes da República. Entre 1985 e 2025, quatro ex-mandatários foram detidos após deixarem o cargo. Veja a ordem cronológica dos casos.
1. Luiz Inácio Lula da Silva – 2018
Lula foi o primeiro ex-presidente brasileiro preso após a redemocratização. Detido em 7 de abril de 2018, cumpriu 580 dias em Curitiba após condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Em 2021, o STF anulou as condenações, permitindo seu retorno ao cenário eleitoral.
2. Michel Temer – 2019
O segundo da lista é Michel Temer, preso em 21 de março de 2019 em São Paulo, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos ligados à usina nuclear de Angra 3. Ele foi solto dias depois, mas tornou-se o segundo ex-presidente detido no período democrático.
3. Fernando Collor de Mello – 2025
Collor foi preso em abril de 2025 para cumprir pena de oito anos e dez meses por corrupção passiva, fraude e lavagem de dinheiro em processo relativo à sua atuação como senador. É o primeiro caso de um ex-presidente cumprindo pena criminal definitiva.
4. Jair Bolsonaro – 2025
O mais recente é Jair Bolsonaro, que teve prisão preventiva decretada em novembro de 2025, em investigação sobre tentativa de golpe de Estado e articulações para invalidar o resultado das eleições presidenciais. A prisão foi cumprida em Brasília.
Um retrato das instituições brasileiras
A prisão de quatro ex-presidentes em menos de dez anos revela a atuação intensa do Judiciário e dos órgãos de investigação, marcada por operações de grande escala e por crises políticas profundas. O Brasil se torna, assim, uma das poucas democracias do mundo a registrar tantos ex-mandatários detidos após o exercício do cargo — seja por decisão provisória, seja por execução de pena.


