Quem nos acompanha pelo rádio, no 101,7 da Rádio Clube FM, sabe já há tempos que às sextas feiras tenho combatido esse radicalismo e polarização de esquerda e direita, sem qualquer nome que venha dar esperança efetiva a este país.
Desde criança – já estou caminhando para o 58º ano de vida – ouço que este é o país do futuro! Que nada… nada de ordem e progresso, nada de evolução efetiva, nem social, nem cultural, nem economicamente. Cria-se sim na política há décadas, uma massa de manobra com fim eleitoral e projeto de perpetuação de poder. Ao menos é o que eu sinto.
Mas enfim, o cenário já há alguns dias vinha novamente na polarização Lula x Bolsonaro. Lula é o mesmo com o mesmo discurso de quarenta anos atrás, repetindo mentiras e prometendo inverdades. Já na direita, ao invés do Jair, desta vez o filho, pau mandado do pai preso.
Não vou entrar no mérito do processo que levou Jair à perda dos direitos políticos e da sua liberdade, mas acho patético indicar um filho para manter o nome do clã no cenário político. Há tempos venho falando da necessidade de surgimento de novos nomes, e não só isso: tenho falado na necessidade de se dar foco e espaço aos novos nomes. Mas não.
A sociedade, a mídia, a classe política, insistem nessa polarização que nada nos soma. Até alguns dias atrás, ao que vinha mostrando pesquisas eleitorais (que não confio muito), o empate técnico entre os mesmos era claro; com diferenças ínfimas em números, onde até então a discussão e troca de acusações entre os protagonistas representantes dos extremos (direita e esquerda) caía sobre a famosa corrupção, tumor que assola toda a nossa sociedade, nossa classe política, e que contamina inclusive os outros poderes constituídos – legislativo e judiciário.
Mas o fato novo deu foco à disputa, quando constatou-se que Flavio Bolsonaro pediu a Volcaro cifras milionárias visando bancar um filme em homenagem ao seu pai (Dark Horse). Quando emergiu a ligação umbilical de Vorcaro com Flavio candidato, por óbvio este despencou nas intenções de voto. E não era para menos. Flavio se mostrou mais um dos de sempre, como já se imaginava ser, mas agora provado que todos estão juntos e misturados.
Notando sua queda, veio com um sem fim de explicações escorregadias, cada dia com uma versão diferente, e nenhuma delas provando o que se falava, nem ao menos justificava os pedidos à finalidade alegada (o filme). Sobre o filme, aliás, li tratar-se de um filme mequetrefe feito fora do país, com atores norte-americanos (como se o Trump tivesse animado com essa trama tupiniquim…). Uma película que pretende enaltecer a passagem de Jair pela presidência do Brasil.
Mas o que se vê, até mesmo antes do lançamento do filme, é o envolvimento dos Bolsonaro nesse escândalo de um dito ´financiamento´ sequer elucidado através de balanços, documentos e justificativas, vindos de dinheiro sujo do escândalo bancário mais impactante do século ! Isso tudo num momento pré-eleitoral!
Na minha modesta ótica Flavio já era, como já eram há tempos o pai e os demais irmãos… Um envolvimento com o caso Master nessa altura do campeonato, sob a justificativa de financiar um filme, a mim não convence. Se mostra inclusive, uma bela munição para a situação e para o sistema.
Minha expectativa é que surja um bom nome de consenso, independentemente de raiz conservadora ou progressista, que possa nos trazer esperança de dias melhores. Que eu não fique só na expectativa. Ia me esquecendo… azarão mesmo é o povo brasileiro, refém da mesmice política que aí está.


