Home Cidade Após não pagar Araprev, Maretto envia projeto para parcelar dívida em até 25 anos
Cidade Destaque Política

Após não pagar Araprev, Maretto envia projeto para parcelar dívida em até 25 anos

A Prefeitura de Araras encaminhou à Câmara Municipal, em regime de urgência, o Projeto de Lei 42/2025, no qual o prefeito Irineu Maretto (PSD) pede autorização para parcelar — e até reparcelar — as dívidas do município com o Araprev em 300 parcelas, o equivalente a 25 anos. É o maior parcelamento da história de Araras.

A proposta surge justamente após o governo municipal não repassar as contribuições previdenciárias até pelo menos o mês de agosto de 2025, acumulando um rombo que agora pretende alongar por um quarto de século.

O texto do projeto admite que o parcelamento poderá incluir “contribuições não repassadas dos segurados e beneficiários do Araprev” até agosto de 2025. A medida acendeu o alerta entre servidores e especialistas, que veem a iniciativa como uma tentativa de corrigir, a longo prazo e sem assumir responsabilidade imediata, uma inadimplência cometida pela atual gestão.

De acordo com o projeto que tramita na Câmara de Araras, a administração Irineu Maretto deve R$ 17.334.434,61 em contribuição patronal não repassada à Araprev entre março e agosto de 2025.

Dívida criada agora, paga pelas próximas administrações

O pedido para parcelamento de débitos, segue a mesma linha que praticamente todos os prefeitos ao longo dos últimos anos adotaram: pedir autorização ao legislativo para empurar o problema financeiro com a previdência do servidor, para as próximas administrações.

O parcelamento de 300 vezes é o maior prazo permitido pela legislação federal, e costuma ser usado apenas em situações extremas. Caso aprovado, o débito deixará de ser um problema apenas de 2025 para se transformar em um compromisso financeiro que se estende por cinco futuros mandatos municipais.

Críticos apontam que o governo Maretto tenta “empurrar” para o futuro as consequências de uma decisão política tomada neste ano: simplesmente não pagar o que é obrigação legal do Município.

“A gestão escolheu não repassar o que deve ao fundo dos servidores, e agora quer jogar a conta para 2050. Isso não é planejamento: é transferência de responsabilidade”, disse um servidor aposentado ouvido pela reportagem.

Projeto prevê correção, juros, multa e até retenção do FPM

Pelo texto, os valores da dívida serão corrigidos pelo IPCA e acrescidos de juros de 1% ao mês, além de multa de 10% em caso de atraso. O pagamento das parcelas será feito por retenção direta no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), mecanismo que reduz a autonomia financeira da prefeitura ao comprometer automaticamente parte de sua principal fonte de receita.

Caso o FPM não seja suficiente, o Município deve complementar os valores — ou seja, o pagamento terá prioridade mesmo em cenários de aperto financeiro.

E se Araras atrasar de novo?

A lei prevê que o acordo pode ser suspenso se a prefeitura:

– não cumprir exigências federais até 10 de dezembro de 2026;

– atrasar três parcelas consecutivas ou seis alternadas;

– descumprir o Programa de Regularidade Previdenciária;

– alterar a legislação do próprio RPPS de forma incompatível com as normas federais.

Em qualquer caso, mesmo com a suspensão, o município continua obrigado a pagar os valores atrasados, com juros e multa.

Araprev já alertava para risco

A situação expõe um problema que servidores já vinham denunciando: a falta de repasse previdenciário fragiliza diretamente a saúde financeira da Araprev, afetando a segurança das aposentadorias futuras. A própria carta enviada pelo prefeito à Câmara cita a necessidade de “equacionamento do déficit atuarial” e “sustentabilidade do RPPS”, evidenciando que a inadimplência já compromete parâmetros de equilíbrio fiscal.

No ofício enviado aos vereadores, Maretto pede tramitação em regime de urgência e até sessão extraordinária para votar a matéria. Nos bastidores, a percepção é de que a urgência se deve ao fato de que o atraso acumulado pelo próprio governo vem impedindo a emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária, documento necessário para receber transferências federais e assinar convênios.

Rádio Clube • 101,7 FM 🔴 AO VIVO
Seu navegador não suporta áudio. https://virtues.live:8410/stream
Sair da versão mobile