A morte do menino J. L. C., de 8 anos, vítima de febre maculosa em 14 de janeiro, passou a ser alvo de investigação após a família registrar um boletim de ocorrência em Araras. Os parentes querem apurar como foi conduzido o atendimento médico recebido pela criança antes do agravamento do quadro clínico. De acordo com o advogado da família, foi registrado um boletim de ocorrência para investigar o atendimento recebido. As informações são da EPTV.
Segundo os familiares, a criança foi levada ao atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por cinco vezes e recebido diagnósticos diferentes ao longo das consultas. A família busca esclarecer se houve falhas nos protocolos adotados pelos profissionais de saúde e também pretende incluir na apuração possíveis problemas de manutenção em áreas públicas consideradas de risco para a proliferação de carrapatos, principal vetor da doença.
Apenas na véspera do falecimento surgiu a suspeita de febre maculosa, quando a criança foi encaminhada para internação e passou a receber atendimento hospitalar com protocolos específicos.
Morador da Vila Dona Rosa Zurita, o menino vivia em uma região com terrenos e áreas de vegetação alta, ambientes que favorecem a presença do carrapato-estrela. Ainda não há confirmação sobre o local exato onde ocorreu a infecção.
A Prefeitura de Araras informou que tem reforçado orientações aos profissionais de saúde das redes pública e privada para identificação precoce da doença e destacou a importância de que pacientes relatem possíveis exposições a áreas de risco durante as consultas médicas. O município também ressaltou que a gestão da UPA do Jardim Belvedere é responsabilidade da instituição São Leopoldo Mandic.

A São Leopoldo Mandic declarou que o atendimento seguiu protocolos oficiais e afirmou que o caso foi submetido a análises internas conforme normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Federal de Medicina.
Confira a nota da São Leopoldo Mandic na íntegra:
A Diretoria Técnica da UPA 24h do Belvedere, em Araras (SP), vem a público manifestar-se a respeito dos questionamentos levantados sobre o atendimento prestado a paciente que viria a evoluir a óbito por febre maculosa.Primeiramente, a instituição e toda a sua equipe multiprofissional manifestam profundo pesar pelo falecimento do paciente e solidarizam-se com a dor da família e amigos neste momento de perda irreparável.
Em resposta aos questionamentos apresentados, esclarecemos que:
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Apurações internas:
A UPA 24h do Belvedere realiza todos os procedimentos obrigatórios de análise de atendimentos por meio de seu Núcleo de Segurança do Paciente e das comissões obrigatórias, como a Comissão de Revisão de Óbitos, conforme previsto nas normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Conselho Federal de Medicina e de outras entidades correlatas. O objetivo das análises realizadas por essas instâncias é revisar toda a trajetória do paciente, desde a admissão até o desfecho, garantindo a conformidade das condutas adotadas. O caso em questão seguiu este trâmite administrativo padrão.
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Protocolos clínicos:
A UPA do Belvedere segue estritamente os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e por demais órgãos competentes para o atendimento de todos os casos de doenças infecciosas, incluindo o do paciente em questão. Ressaltamos que, do ponto de vista técnico, os sintomas iniciais da febre maculosa brasileira são inespecíficos (febre alta, dores no corpo, mal-estar), assemelhando-se aos de diversas outras viroses comuns e doenças similares, como dengue ou síndromes gripais. O agravamento do quadro clínico e o surgimento de sinais específicos são monitorados para o ajuste das hipóteses diagnósticas e das condutas terapêuticas, conforme preconiza a literatura médica.Por fim, a instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança do paciente e a qualidade da assistência prestada à população, colocando-se à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais necessários.
Atenciosamente,
Dr. Augusto Vieira Amaral
Superintendente de Operações Médicas
Dois óbitos em 2026
Nesta semana, a secretaria municipal da Saúde confirmou a morte de duas crianças em Araras, vitimas da febre maculosa.