Em seguimento ao que expus semana passada, em ano eleitoral pipocam promessas daqui e dali, tudo pela perpetuação no poder e na certeza da memória fraca do brasileiro, o que infelizmente é verdade (lembra da picanha?).
Já teci minha opinião na qual a livre negociação entre empregadores e empregados é que se chega a solução mais adequada de harmonia entre os interesses dos atores envolvidos, quando se discute a questão de jornada de trabalho. A intervenção do Estado deve existir (como fiscalizador), mas não a ponto de intervir contundentemente em questões de cunho econômico, como nessa lunática intenção de redução de jornada…
Nesse período já eleitoral, outros temas não menos eleitoreiros, falsos e que se aceitos levarão à derrocada definitiva do já esgarçado país que vivemos surgem como ‘promessa’ de benefícios. Me refiro a outra proposta grosseira de dar transporte público gratuito a todos os brasileiros! Uma das justificativas do projeto – que ao meu ver é eminentemente eleitoreiro e demagógico – é dar uma resposta à crise no sistema de transporte que o país vive.
O governo fala em financiamento público da tal ‘tarifa zero’, com uma integração e responsabilização dos entes federativos, municípios, estado e a união. O discurso é que o projeto vem a aliviar o orçamento familiar, suprimindo os custos em transporte para os trabalhadores. Diz ainda que a medida fará estimular o uso do transporte público inserindo aqueles que ainda não o utilizam, gerando menos congestionamentos, menor gasto de combustível, redução de índices de poluição e outros.
Há inúmeros países que adotaram essa medida, com uma diferença substancial à realidade que vivemos: são estados enxutos, economias fortes, e população estabilizada, social e economicamente. Nosso país vive uma economia em frangalhos. Negociar corresponsabilidade de municípios, estados e união para ‘bancar’ esse custo, é literalmente proposta de maluco. Araras já provou que a manutenção de nosso transporte púbico estatizado não funciona; funcionou num momento histórico passado. Mas hoje é um buraco sem fundo o que se vê em nossa empresa municipal.
Empurrar goela abaixo de municípios a obrigação de participar de custeio de transporte será um ato de morte a grande maioria desses municípios envolvidos. Sabemos que Brasil afora, os orçamentos municipais não se sustentam sequer às obrigações básicas das cidades, quais sejam, educação, saúde, segurança e zeladoria.
Vemos por aí a degradação do ensino, da saúde pública, da segurança e das áreas de uso comum das pessoas; nossa cidade não foge a essa trágica constatação. Esperar a participação dos entes federativos – em especial os já massacrados municípios – num investimento e responsabilidade que é flagrantemente de alçada privada, é no mínimo, acidental e inconsequente.
Por mais que se estude a reestruturação de modelos de concessão de transporte público gratuito, a fim de que se mostrem viáveis e eficientes ao fim a que se destina (atendimento social), efetiva e definitivamente a conta vem, e alguém vai ter que pagar. Que discurse o governo no sentido de que estudos de impacto financeiro demonstrarão como funcionará o projeto; mas mesmo sem fazer tal estudo já é previsível e imaginável o colapso econômico que virá sobre todos nós, pagadores de impostos.
Quando o governo fala em estudar a forma de financiamento dessa promessa demagógica e aloprada, leia que a nós caberá o custo disso, ou com a retirada de verbas de um setor para cumprir o custo de outro, ou pior, com o aumento dos tributos – o que penso deverá acontecer. Não é crível querer dar a nosso país um projeto de primeiro mundo, sendo certo que temos dos piores índices sociais e econômicos do mundo. O que se vê é muita desfaçatez de um governo que só pensa na perpetuação do poder, a que custo for.
A economia tem que ser fomentada com incentivo a produção, ao emprego, à formalidade de produção, com liberdade de negociação entre atores, qualificação de mão-de-obra, aumento real de salário com redução dos reflexos dos tributos hoje incidentes em folha e produtos, estimulo à geração de riqueza.
Querem engordar um estado já obeso, que não se mantém. O circo brasil está com a lona curta demais para um picadeiro cujo mestre de cerimônia se faz representar por aqueles que não querem sair do poder, e onde a arquibancada parece estar com lotação de palhaços.


