A história do juiz de direito que, segundo o MP, usou nome falso durante 45 anos

O Ministério Público de São Paulo denunciou um caso que parece saído de um roteiro de cinema: o de um juiz aposentado que, segundo as investigações, viveu durante 45 anos sob uma identidade falsa com nome britânico. Edward Albert Lancelot Dodd-Canterbury Caterham Wickfield, como era conhecido no meio jurídico, na verdade se chamaria José Eduardo Franco dos Reis.

Segundo a denúncia, Reis teria adotado a identidade britânica no final da década de 1970. Com esse nome, ingressou no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde se formou. Posteriormente, prestou concurso público para o Tribunal de Justiça de São Paulo, foi aprovado e exerceu o cargo de juiz por 23 anos, até sua aposentadoria em 2018. Ao longo desse tempo, participou de julgamentos, proferiu sentenças e construiu uma carreira sólida – tudo baseado em uma identidade que agora é considerada falsa pelo MP.

A fraude só foi descoberta recentemente, quando o agora aposentado solicitou uma segunda via do RG no posto do Poupatempo da Sé, na capital paulista. Durante a atualização cadastral, suas impressões digitais revelaram a verdadeira identidade: José Eduardo Franco dos Reis, nascido em abril de 1955. O caso foi encaminhado à Polícia Civil e, em março deste ano, resultou na denúncia formal por uso de documento falso e falsidade ideológica.

Ao ser ouvido pelas autoridades, o ex-magistrado apresentou uma versão inusitada: disse que Edward Wickfield seria, na verdade, seu irmão gêmeo, supostamente doado para outra família ainda na infância. No entanto, o MP sustenta que nunca houve esse irmão, e que a certidão de nascimento usada por ele como “Edward” foi fabricada a partir de dados fictícios. A promotoria destaca ainda que o CPF vinculado à identidade falsa só foi registrado nos anos 1990, sem histórico anterior de movimentação.

A denúncia agora está nas mãos do Judiciário. Caso o juiz aceite a acusação, Reis poderá responder criminalmente pelos crimes atribuídos. O caso levanta questionamentos sobre falhas nos sistemas de verificação de identidade, inclusive em instituições de ensino e órgãos públicos. O Tribunal de Justiça de São Paulo, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre a denúncia.

 

Fonte: Folha de São Paulo 

 

Cesar

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